sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

e o resto são cantigas



há pouco cheguei a casa, sem me lembrar ao certo da viagem de regresso.
como se tivesse entrado no carro e a viagem desde o ponto de origem, até à chegada ao destino, mais não tivesse sido do que uma incursão numa cápsula do tempo, com todas as aleg(o)rias que isso implica.
podia ter corrido mal.
podia não ter sido capaz de contornar os veículos impacientes na 2ª circular, podia não ter dado pela existência dos espelhos retrovisores, ou poderia mesmo ter seguido sempre em frente e a esta hora já estaria na Almargem do Bispo.
é extraordinária a orientação que nos guia, mesmo em estados absortos.
há duas coisas fundamentais neste processo de alienação (pelo menos neste meu episódio específico):
o pensamento e o alinhamento exímio de canções ouvidas no rádio.
recuei anos atrás, revivi momentos, voltei a pasmar-me com determinadas casualidades, falei sozinha, cantarolei, esbocei sorrisos, e quando dei por mim já estava a estacionar à porta de casa.
ainda me deixei ficar por mais uns momentos com o rádio ligado, já que a música se exibia num alinhamento descarado aos meus ouvidos.
e aos meus sentidos.
e à minha memória.
e a tudo aquilo que já vivemos de bom e que isso, já ninguém nem nada nos tira.
é este tipo de flashback completamente inusitado, que me faz ver que se o mundo acabasse amanhã, já teria valido a pena a andança por cá.


e esta fez parte do repertório.


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