terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu sou desse tempo




Gosto de saber que faço parte de uma geração em que a infância era literalmente,ser criança,nada mais. 
Lembro-me de brincar com outras crianças na rua,em frente à minha casa,não me lembro de ter tido brinquedos todos "xpto" e caríssimos e sei que me contentava a rodos,a ver o "Verão Azul", o "Dartacão", "O Bel e Sebastião" e a "Abelha Maia". E divertia-me a fazer as respectivas cadernetas de cromos...hoje em dia os cromos são outros e há certas "singularidades" que constituem por si só autênticas "cadernetas".

Eu sou do tempo em que não se falava a torto e a direito em crises,privatizações e outros circos de horrores que marcam o nosso actual quotidiano.
Eu pertenço orgulhosamente ao tempo em que se escrevia de uma determinada forma,contrapondo com o presente e estranho "acordo ortográfico" ,que naquela altura resultaria numa amálgama de erros. Foi assim que eu aprendi na escola e recuso-me veemente a algum dia escrever assim,desta forma "acordada".
Hoje em dia há crianças com meia dúzia de anos,com telemóveis,a pedir playstations no Natal e isto para já não falar naquelas que,nem com uma dúzia de anos de existência,já tratam o computador por tu e manuseiam o facebook.
Já não há desenhos animados míticos.
Obviamente que os tempos são outros, a evolução (???) se propicia a tudo isto,mas claro que o papel dos pais é fulcral e eu muito francamente,de acordo com os parâmetros que eu tenciono ver a minha filha a se desenvolver,não a estou a ver nos próximos 15 anos a "amigar-se" no facebook (nem sequer questiono a hipótese de ver tamanho sucesso cibernáutico,a extinguir-se,portanto...)

Acho que tudo deve obedecer a tempos,mais ou menos delineados: a infância é para ser perpetuada como tempo primário, único, puro e de plena descoberta. Os updates começarão sim,a serem feitos na entrada para a adolescência,tudo a seu tempo,tudo sem pressas,porque apressada já é a vida por si só e quando damos por nós,o presente já é passado

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