quarta-feira, 8 de junho de 2016

da liberdade


                                                    Constelação, Sónia Balacó



por vezes o corpo pede à cabeça, essa máquina dominadora da razão, para abrandar, para quebrar
a sofreguidão desenfreada com que respiro a vida.
mas o corpo, por vezes exausto, ainda assim não consegue sucumbir por completo ao ócio e fazer dele um reino absoluto.
terei tempo para parar, quando um dia for prisioneira no meu próprio corpo e sucumbir à deterioração dos sentidos.
a liberdade não assoma à janela e se senta no sofá da sala, de braços cruzados.
a liberdade confunde-se no sangue que circula nas veias e insurge-se contra o delírio da resignação e do conformismo e eu tenho em mim essa liberdade autêntica, que se renova ciclicamente.
já fiz muito, mas ainda farei mais, porque já se sabe,como a luta não se faz da espera, terei sempre de ir eu.

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