sábado, 18 de março de 2017

life unstyled

a mais-valia do mundo cibernético é, na minha óptica de utilizador, a descoberta de conteúdos interessantes.
encontro coisas e pessoas com as quais é fácil eu me identificar e quando eu digo isto, refiro-me à área das letras e da decoração, que basicamente são as minhas paixões profundas.
a amazon também sabe aquilo que eu gosto e acerta na maioria das vezes nas recomendações que tem para me oferecer, ou não fosse a amazon a minha primeira descoberta feita na web, já há uns bons anos.
isto para dizer que, a minha (preciosa) descoberta recente foi o livro da Emily Henson, o "Life Unstyled"- não se trata de mais um livro de decoração, mas sim de uma série de fotografias de casas vividas, sem pretensiosismos de espécie alguma e cenários onde se pode claramente ver que há ali uma energia forte, um cunho individual e pouco standardizado.
quem me conhece, sabe que os minimalismos e a cenários monocromáticos não são de todo a minha praia, mas gostos à parte, com muitos ou poucos objectos, com muita ou pouca cor, o importante é as pessoas viverem os espaços em que habitam, como se fossem estes uma extensão da sua própria personalidade.
Façam vocês mesmos, sejam vocês mesmos e não, o copy paste de uma revista decorativa, só porque sim, porque é assim que dita a moda.
a quem  interessar isto que escrevo, sugiro que vão espreitar o blogue da Emily e garanto-vos que vale a pena tomar alguns minutos, não só pelas fotografias, mas também pelos textos sinceros de uma mulher, que tem um blogue (para além de fazer outras coisas) e que poderia apenas limitar-se à parte das viagens que faz em trabalho, da envolvência agradável, do lifestyle tão falado nowadays. Mas também está lá a referência aos problemas do dia-a-dia e picos mais difíceis que a vida acarreta, para além de tantas coisas boas. A life unstyled que retrata, atrai-me muito mais que o estilo que vejo por aí em tanto blogue e contas de instagram.
é uma questão de identificação.
acho que, num mundo cibernético composto cada vez mais por fotografias e vidas teatrais,faz falta relatos e fotografias da vida como ela é, de pessoas com as quais nos identificamos e que, de alguma forma, nos alimentam os dias.

use creativity before consumption.








  Life Unstyled book

terça-feira, 1 de novembro de 2016

so far, so good



está tudo bem.
há interregnos que por vezes acontecem sem que para isso existam explicações lógicas.
andei a escrever outras coisas, noutros sítios; andei a fazer muita coisa nos sítios de sempre e em novos sítios também.
não é parar que me sustem, já o referi aqui algumas vezes e neste mês de novembro, aqui este recanto de palavras completa cinco anos. Mais velha estou eu, que no passado domingo vi o tempo a retrair-se em sessenta minutos e a conceder-me mais um ano.
mas está tudo bem. Confesso que tive alguns picos  a roçar o melancólico e a estranhar a velocidade estupidamente alucinante da vida, que de criança feliz entretida com banda-desenhada, lança-me à vertigem dos quarenta anos.
a questão cómica é que ninguém acredita.

e cá para nós, também eu não. :)

sempre revelei um deliberado desprezo pelos algarismos e obviamente que não seria agora o momento ideal para lhes dar valor.

fiz os quarenta, estive feliz, fiz uma festa, esteve um dia de autêntico verão, e continuo feliz, sem uma réstea de calamidade em torno da idade.

como tal, está tudo bem, sim senhor.



  
créditos fotográficos do Vitorino Coragem

sexta-feira, 15 de julho de 2016

que raio de dias são estes ?



já lá vai o tempo,
em que os dias se faziam quase ao som de uma poesia pastoral, salvo o pânico das doenças, o horror de uma guerra, o fanatismo antissemita de um louco nazi.
o problema não é o louco- maestro que rege a orquestra. O problema é a quantidade monstruosa de súbditos assassinos, um número maldito, ávido de morte e destruição, com alvos maioritariamente escolhidos ao acaso.
já lá vai o tempo em que os dias não eram balas, e a vida, ainda assim, estava ela longe de ser uma roleta-russa.
já lá vai o tempo em que os prenúncios de morte chegavam montados em cenários tenebrosos, e toda a gente sabia para o que vinham.
hoje, os prenúncios de morte já não existem, porque a morte chega, acontece e decapita, em cenários genuínos de festejo e alegria.
já não há prenúncios, apenas a ameaça iminente de que o dia que se segue, pode muito bem ser a bala da nossa roleta .

como se já não fôssemos donos de nada.

mas os loucos, esses, continuarão a existir.


#eunãosouNice
#nemsouParis
#nemsouBruxelas
#nemsouBangladesh

#souporummundopobreemviolência

e lamento,sempre, muito, seja em que parte do mundo for.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

dar conta do recado

tenho andado mais "arredada", mas somente por bons motivos.
felizmente há muita coisa boa a acontecer, mas, lá está, as coisas não se reproduzem por si, é necessário trabalho, dedicação, vontade, e tempo, uma boa parcela de tempo investido.
noutro dia alguém me perguntava se eu conseguia dar conta do recado.
pois consigo. claro que sim. tenho um papel tão doce, quanto exigente e absolutamente imperativo, que é o de mãe e quanto a isso é impossível descurar seja o que for.
depois, tenho a óbvia consciência que felizmente possuo um trabalho que mais não é do que o meio para atingir o fim do mês, traduzindo-se em independência financeira.
aliás, tudo aquilo que se traduza em independência, é quanto a mim, digníssimo de ser valorizado.
e depois.
depois vem o ócio, o lazer, os afectos para quem nos ama, o trabalho individual, o querer ir mais longe.
já o referi aqui por diversas vezes: a minha paixão mais primária é ler e escrever.
estar envolta em silêncio, como neste preciso momento, e fazer das coisas que mais gosto, vai mais além do que o simples conseguir dar conta do recado, no meio do cardápio (felizmente) recheado que é a minha vida.
no início do ano, fui gentilmente convidada para escrever um texto para a Flanzine, uma revista cultural, que engloba uma série de criações a nível de escrita, fotografia e ilustração, tudo isto em torno de um determinado tema, e na qual têm contribuído nomes grandes do panorama cultural português e não só.
este último número foi uma bonita homenagem a Bowie, o resultado final é excelente e o lançamento aconteceu no passado dia 18 de Junho, na Barraca, em Lisboa.
é um orgulho, claro.
e a certeza de que dar conta do recado, é mais do que desenrascar : é basicamente um lema de vida e não há como ser ou agir de outra forma.









quarta-feira, 8 de junho de 2016

da liberdade


                                                    Constelação, Sónia Balacó



por vezes o corpo pede à cabeça, essa máquina dominadora da razão, para abrandar, para quebrar
a sofreguidão desenfreada com que respiro a vida.
mas o corpo, por vezes exausto, ainda assim não consegue sucumbir por completo ao ócio e fazer dele um reino absoluto.
terei tempo para parar, quando um dia for prisioneira no meu próprio corpo e sucumbir à deterioração dos sentidos.
a liberdade não assoma à janela e se senta no sofá da sala, de braços cruzados.
a liberdade confunde-se no sangue que circula nas veias e insurge-se contra o delírio da resignação e do conformismo e eu tenho em mim essa liberdade autêntica, que se renova ciclicamente.
já fiz muito, mas ainda farei mais, porque já se sabe,como a luta não se faz da espera, terei sempre de ir eu.

sábado, 16 de abril de 2016

não é a forma, é o conteúdo



ainda sobre casas.
há dias fui ver uma outra casa estupidamente bonita,  daquelas onde se entra, cai o queixo e andamos os dias que se seguem à procura dele.
mas depois eu penso: então e se tirarmos à casa, a decoração estupidamente fantástica que me embriaga as medidas do regalo à vista, e a puséssemos a nu, ou então com uma indumentária fria, feia, daquelas que repelem...? continuaria ainda assim a ser fantástica, essa mesma casa ?
a resposta pode ser sim e não.
porque há espaços que rogam a clemência do trato e do reparo e é uma pena não lhes ser dado o merecido valor, porque a arquitectura só por si é bela; ou porque há espaços que ninguém daria nada por eles, mas basta vesti-los bem, e toda a história muda de figura.
eu já fui protagonista nestes dois reversos da mesma história e aquilo que eu concluo, é basicamente isto: o conteúdo, senhores. É tudo uma questão de conteúdo. E isto aplica-se basicamente a tudo, universalmente e transversalmente falando.
a capacidade de atribuir uma personalidade ou alma, a um espaço é, a meu ver, uma arte, mais sensível do que aquilo que se possa pensar.
já o fiz algumas vezes na vida e posso dizer que é das coisas que me dá mais prazer, apesar de toda a envergadura chata que uma mudança de casa implica. Faz-me francamente feliz abrir a porta da minha casa a alguém que me conheça minimamente, ao ponto de me dizer que a minha casa é a minha cara . 
é revelador de que de facto os conteúdos que me revelam, andam em concordância.
e eu, em concordância com eles.

*seguem-se pequenos detalhes da minha casa, detalhes esses que farão sempre parte do conteúdo do espaço que habito - seja este, ou sejam outros.



























quarta-feira, 6 de abril de 2016

estado puro



podia ter saído de um daqueles blogues fantásticos de decoração, mas não.
e felizmente para mim e para o regalo dos meus olhos, digo que esta fotografia, tal como as outras que se seguem, fui eu que as tirei, testemunhando assim, na primeira pessoa, o deleite que o universo da arquitectura e da decoração, me dá.
como se isso não fosse suficiente, trata-se da nova morada de uma grande amiga, e como amiga que sou, testemunhei-lhe com imenso prazer, a felicidade que lhe vestia o rosto.
gosto de ver pessoas felizes.
gosto de ver as pessoas de quem gosto, felizes.
gosto de ver pessoas que merecem, felizes.
e as pessoas têm é que batalhar pela felicidade que querem ter, com todo o trabalho, cansaço, chatices e coisas que tais que isso possa implicar.
mais do que uma tarde entre amigas, foi o testemunho real e sincero, da felicidade em estado puro.
quanto à casa, é absurdamente bonita e nada mais há a dizer.

























 e por último, o tecto da cozinha...