não gosto de Janeiro. Não sei explicar porquê, mas eu e esta altura do ano nunca fomos amigos inseparáveis.
há um misto lúgubre de cinzento e tristeza nestes primeiros dias, como se o êxtase das festas ainda em fase de rescaldo caísse lá em baixo tal bola de chumbo, como se tudo aquilo que há de menos bom a acontecer durante um ano inteiro, acontecesse precisamente em Janeiro.
na verdade, só começo a gostar do ano a partir de Março, quando parece haver uma mão cheia de sementes auspiciosas no ar.
e isto é um sentimento estranho, que me incomoda, principalmente porque se já tive muita coisa desagradável a acontecer em Janeiro, também me lembro de coisas boas e positivas a acontecerem-me noutros Janeiros.
sei lá, são desabafos e os desabafos são como as opiniões:
valem aquilo que valem.
entretanto apaixonei-me por isto
whatever.
são melancolias típicas dos recomeços.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
mais poesia por favor
não há melhor forma de recomeço, do que fazer algo que se gosta, estar com quem mais se gosta, rodeada pelo que mais gosto.
não há melhor forma de recomeço, do que acordar com a chuva e o vento na janela, a lembrarem que apesar de tudo é inverno e que a primavera dos dias somos nós que a trazemos até nós.
bebi com a moderação que me satisfez, mas começo o ano a embriagar-me nas palavras que me sustêm a alegoria dos momentos.
quero-as tanto.
muito.
e ouvi dizer que quando se quer assim tanto, as coisas acontecem por bem.
hoje é o primeiro dos dias e, tal como todos os recomeços sinceros, só quero que venha por bem.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
não deixes para celebrar amanhã, o que podes celebrar hoje
se há coisa que me desmotiva é perguntar a alguém como é que correu determinado acontecimento ou evento festivo, digno de uma razoável satisfação (quanto mais não seja pelo facto de estarmos vivos para celebrar o facto) e do outro lado ouço um seco e desinteressado :
" -hã...passou-se. "
eu é que me passo, pá.
eu é que me passo com o desinteresse levado a cabo na vivência dos dias, como se isto (vulgo, a vida) fosse uma fonte infinita, inesgotável e negligenciável de horas que se parecem traduzir como um autêntico frete e basicamente, um favor que fazemos ao ar, por o respirarmos.
deixem estar, este natal "passou-se". Se bem me lembro o do ano anterior também se "tinha passado", mas não há problema nenhum nisto, porque afinal de contas ainda temos 6578 natais pela frente, portanto podemos descurar estes todos que se vão "passando".
será problema meu...? serei sôfrega por assumir esta perspectiva...?
olhem, senhores e senhoras que apregoam a seco o "hã...passou-se" e que em simultâneo encolhem os ombros como se ainda tivessem um chorrilho de dias absolutamente fantásticos pela frente,
deixem-me dizer-vos uma coisa:
há momentos em que de facto podemos não estar propriamente virados para celebrar mais um aniversário, ou um natal, ou um fim de semana, ou a festa de um amigo, mas caramba, se não aproveitarmos essas oportunidades de celebração enquanto andamos aqui, no mundo dos vivos e se não rasgarmos ainda mais os níveis do riso, zelando pela preservação individual da serotonina que só existe se formos felizes...quando? quando vamos fazê-lo? quando estivermos na fila da segurança social ou à espera de consulta no centro de saúde...?
lá está. Há uns anos atrás fui submetida a uma cirurgia, não foi fácil. Quando me perguntam sobre isso ou eu própria o relembro, só me vem à cabeça uma palavra:
-passou-se.
e a seguir, é rir, partir para a "reinação", aligeirar a rudeza dos dias pouco meigos e não perder uma boa oportunidade de ce-le-brar,
hoje,
agora se possível.
quanto ao amanhã, logo se vê.
Bom Ano Novo :)
o mundo a meus pés, no meu grande mundo que é a minha casa.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
que a memória não me fuja
o Natal terá sempre para mim o sabor ímpar da infância,
será sempre o cheiro de uma lareira a arder na envolvência de uma noite fria,
será sempre as minhas faces ruborescidas pelo calor dessa mesma lareira que ardia,
as travessas de loiça antiga, tão antiga, nas quais se dispunham o bacalhau, as batatas e as couves, estas últimas que eu mesma tinha ajudado a apanhar horas antes, ou julgara eu que ajudava.
lembro-me de inspirar aquele ar de pureza de campo, em miscelânea perfeita com fumo e inverno e saber no mais profundo de mim que uma das minhas maiores riquezas de vida, seria a memória de tais dias e noites de infância.
a memória de dias quentes de Verão
e,
o cunho eterno de Natais tão simples e tão perfeitos.
e a cada ano que passa nesta época, torna-se inevitável não olhar para trás e avistar ao longe essa miúda que eu fui e sentir-lhe tão bem, a alegria no rosto.
*na foto, a minha miúda, para quem hoje já era Natal.
Feliz Natal para quem aqui passa :)
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
is this for real...?
tenho uma pancada tão forte por casas, que não há explicação para tal.
não sei, já é de mim.
um dos meus blogues preferidos no que respeita a este assunto de casas e decoração, está ali do vosso lado direito, na minha lista de loved ones.
já falei nele por aqui e tornarei a falar, porque de facto não tenho como não o fazer, já que nele figuram casas que me enchem totalmente as medidas.
a última é esta e se querem saber mais, espreitem aqui porque vale bem a pena.
não sei, já é de mim.
um dos meus blogues preferidos no que respeita a este assunto de casas e decoração, está ali do vosso lado direito, na minha lista de loved ones.
já falei nele por aqui e tornarei a falar, porque de facto não tenho como não o fazer, já que nele figuram casas que me enchem totalmente as medidas.
a última é esta e se querem saber mais, espreitem aqui porque vale bem a pena.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
desejos do meu contentamento
prendas ideais para o natal são os livros, não quero saber de mais nenhum artefacto. Tudo o resto é saúdinha e boa disposição, ah pois é.
existem muitos livros por este mundo fora que eu gostava de ter, mas isso implicava que eu fosse obrigada a tirar uma licença à vida quotidiana, para poder ter tempo de os degustar a todos convenientemente.
como tal, eis aqueles que de momento são o meu grande desejo de consumo:
- Lisboa- cidade triste e alegre
desejo-o com uma ambição desmedida.
- How to be Parisian wherever you are
eu não pretendo tornar-me numa rapariga parisiense onde quer que eu esteja, mas este livro, que eu já tive a oportunidade de folhear está muito giro graficamente falando, com curiosidades interessantes e claro, para quem adora Paris que é o meu caso, é uma rica prenda.
- Natália Correia: Não Percas a Rosa
adoro a Natália Correia, com toda aquela força de carácter e de palavras que a caracterizava. Este livro é um grande "bolo" (cerca de 700 páginas) que reúne um diário que a própria escreveu na alvorada revolucionária de Abril de 1974, com fotografias e reproduções dos manuscritos originais. Preciso de ter isto.
- Antologia Poética de Sophia de Mello Breyner
a minha beloved Sophia. Já há muito tempo que ando a namorar esta antologia e é curioso que, cada vez que peguei neste grande livro e o abri ao acaso, havia sempre um poema que soava em mim à laia de conselho.
e, uma pequena excepção aos livros, preciso de ver a segunda temporada da série Girls, para me rir um bom bocado, à semelhança do que aconteceu quando vi a primeira série. Muito bom.
e pronto, consumismos à parte, digamos que estas coisas iriam dar-me um belo contentamento .
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
este post não é para todos
vós que sois fãs e submissos a um belo bife do lombo, rodízios e picanhas, parem aí a leitura, porque este post não é para vocês.
não há carne nos meus repertórios alimentares quase desde o momento em que eu descobri que afinal, aquilo que eu tanto gostava chamado "arroz de cabidela", não era derivado das árvores ou da terra, mas que na verdade era sangue. Sangue da galinha com a qual eu teria andado a brincar na semana anterior, lá na quinta dos meus avós, o sítio de uma infância feliz.
não pude exterminar por completo a carne da minha ementa, porque na altura a minha mãe, dado eu ser ainda muito novinha, não achou muito correcto. Mas comia a contragosto.
com o tempo (e não demorou assim tanto tempo quanto isso), abandonei sem qualquer pena a carne, dos meus hábitos alimentares.
trata-se de uma opção de vida, que tal como todas as opções de vida que não ferem, nem prejudicam ninguém, é merecedora de ser respeitada (isto porque já me envolvi em acesas discussões com pessoal ávido de carne e que não respeita, pura e simplesmente, quem lhes mexe com os gostos/opções pessoais).
convivo muito bem com esta minha escolha, que simultaneamente se traduz num modo de vida, não porque é bem, nem porque é moda, mas porque é algo que sinto visceralmente.
e quando assim é, não há mais nada a dizer.
*na foto : um salteado de soja, grão de bico e alho francês, que por acaso estava bem bom.
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