segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
introspecção.
há quarenta anos, num 14 de Dezembro cinzento e chuvoso tal como o de hoje, casavam os meus pais.
hoje, só queria que o meu pai estivesse na condição de o poder recordar.
a vida não se traça somente mediante os desígnios que gostaríamos, mas também de acordo com premissas que nos tornam seres impotentes.
agora, este momento, é aquilo que eu sei que tenho.
domingo, 13 de dezembro de 2015
dos essenciais à vida
há pouca coisa que eu goste tanto de fazer, quanto estar rodeada de livros, folhas em branco prontas a serem escritas, palavras para serem manuseadas.
e é curioso como estes hábitos, que são paixões e paixões essas que se tornam sérios vícios, se vinculam à nossa personalidade desde tenra idade.
agradeço eternamente ao meu pai por me ter alimentado isto desde criança, dado que todas as semanas me satisfazia o desejo de me comprar um livro.
não precisava de mais nada e, o facto de ter crescido enquanto filha única talvez tenha contribuído bastante para esta espécie de casulo que sempre reservei, de mim para mim.
não se trata de uma atitude egoísta, porque estou sempre pronta a partilhar aquilo que tenho de bom, com quem quero fazê-lo. Mas admito que tenho uma saliente costela individualista, já que estes momentos que são só meus, fazem mais pela minha sanidade mental, do que outra coisa qualquer, por muito boa que essa outra coisa qualquer seja.
não gosto de me armar em conselheira, e quem sou eu para essa presunção, no entanto há circunstâncias em que me vejo quase obrigada a dizer a algumas pessoas queixosas com a vida, que deveriam de estar mais com elas próprias, porque é importante conhecermo-nos ao ponto de nos sabermos ouvir e isto não implica necessariamente negligenciarmos tudo o resto que temos e que também é importante.
são parêntesis essenciais.
e mesmo quando não posso escapar do espaço físico no qual me situo, se derem por mim absorta com um livro na mão, é porque nada ali me interessa, a não ser as palavras em que me encontro.
mais uma vez não é presunção: trata-se de posturas e de opções.
hoje encontrei um blogue de alguém cuja escrita é fenomenal, com a qual me identifico tremendamente. Fico mais do que satisfeita quando encontro alguém com a sensibilidade de transpôr em palavras, sentimentos que à partida julgamos indefiníveis e impossíveis de materializar verbalmente. E, simultaneamente, penso que também estas pessoas devem de ter os seus próprios casulos, portos de abrigo. Gostava de as conhecer e falar com elas sobre isso.
e a propósito das palavras escritas, posso dizer que na minha vida só me falta fazer uma coisa: plantar uma árvore (mas sei quem me pode ajudar com isso)... ah..! e não é presunção: é determinação e sonho antigo.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
e o resto são cantigas
como se tivesse entrado no carro e a viagem desde o ponto de origem, até à chegada ao destino, mais não tivesse sido do que uma incursão numa cápsula do tempo, com todas as aleg(o)rias que isso implica.
podia ter corrido mal.
podia não ter sido capaz de contornar os veículos impacientes na 2ª circular, podia não ter dado pela existência dos espelhos retrovisores, ou poderia mesmo ter seguido sempre em frente e a esta hora já estaria na Almargem do Bispo.
é extraordinária a orientação que nos guia, mesmo em estados absortos.
há duas coisas fundamentais neste processo de alienação (pelo menos neste meu episódio específico):
o pensamento e o alinhamento exímio de canções ouvidas no rádio.
recuei anos atrás, revivi momentos, voltei a pasmar-me com determinadas casualidades, falei sozinha, cantarolei, esbocei sorrisos, e quando dei por mim já estava a estacionar à porta de casa.
ainda me deixei ficar por mais uns momentos com o rádio ligado, já que a música se exibia num alinhamento descarado aos meus ouvidos.
e aos meus sentidos.
e à minha memória.
e a tudo aquilo que já vivemos de bom e que isso, já ninguém nem nada nos tira.
é este tipo de flashback completamente inusitado, que me faz ver que se o mundo acabasse amanhã, já teria valido a pena a andança por cá.
e esta fez parte do repertório.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
o sonho que comanda a vida
eu sei que antes das ditas resoluções de ano novo, ainda está o Natal, mas muito provavelmente o meu desejo de caderno em branco possa ser medido nas mesmas ânsias com que uma criança decresce os dias até ao desembrulhar das prendas.
a ansiedade não faz bem a ninguém, mas não é ansiedade a minha fraqueza.
nem fraqueza é tão pouco, porque quem é fraco não vai à luta.
e a minha luta é sinónimo de resiliência.
e esta última é a capacidade resoluta de superação e paciência.
o caderno em branco não será a cura para todos os males, nem trará o santo graal à vida, mas traz inevitavelmente a sensação limpa de que estamos sempre a tempo de recomeçar.
e de acreditar.
e conseguir.
domingo, 29 de novembro de 2015
good company
um destes dias em conversa com uma amiga, esta falava-me sobre a sensível questão que é sabermo-nos proteger, dizendo que afastava obrigatoriamente aquilo que lhe fazia mal.
mas a sensibilidade e ambiguidade da questão é de tal forma imensa, que por vezes as coisas não serão assim tão lineares.
porque há coisas e pessoas que fazem de tal forma parte das nossas vidas, seja por laços familiares, seja por necessidade material, seja por dependência emocional que, apesar de ser visível o grau de incómodo que nos trazem, cortar radicalmente com isto poderia tornar-se quiçá, ainda mais prejudicial.
não sei.
o que eu sei é que, a forma mais inteligente de nos sabermos proteger, não será obrigatoriamente o afastarmo-nos de tudo aquilo/quem nos prejudica, mas rodearmo-nos todos os dias daquilo que nos faz tremendamente bem.
pode ser ler um livro. pode ser escrever um livro. pode ser telefonar a alguém amigo. pode ser ir ver as montras. pode ser pôr a música alta e dançar no meio da sala, como se fôssemos rebeldes sem causa numa louca festa revivalista. pode ser ir passear o cão. pode ser dormir com os gatos em cima, de forma a não te poderes mexer. pode ser comer sushi. ou uma feijoada. pode ser acabar o dia no sofá a ver um grande filme e adormecer até babar.
pode ser qualquer coisa, desde que te alimente o espírito.
e simultaneamente (last, but not the least), esta boa guarnição espiritual é grande auxiliadora das causas justas:
dá-nos o arcaboiço necessário e indispensável para saber lidar com os "atropelos" dados por aquilo e quem não nos fará tão bem assim.
fácil não é,
mas é de pasmar o grau de dificuldade para o qual a determinação humana está formatada para conseguir superar.
e muitas vezes consegue-se, sabem...?
sábado, 14 de novembro de 2015
o cancro do mundo
era uma sexta-feira normal, ou provavelmente mais auspiciosa do que tantas outras.
era uma noite.
véspera de fim de semana.
era sair. jantar fora. beber um copo. ir ao estádio ver o jogo.
ir a um concerto.
tanta coisa boa para fazer, porque afinal, era sexta-feira.
era.
fim.
sábado, 7 de novembro de 2015
quantos de nós somos números primos
tenho uma inadvertida tendência para histórias que falam de assimetrias, desencontros, desamores, finais pouco esperados, socos no estômago, etc. etc.
confesso que um livro ou filme que encerra com um "e foram todos felizes para sempre", não se perpetua na minha memória por mais de três minutos, o que também não significa que eu disponho de uma veia sádica que me domina ao ponto de querer ver toda a gente infeliz.
nada disso.
trata-se apenas de um gosto pessoal, um tanto atípico talvez, mas a questão é que este tipo de enredos menos felizes, sejam eles puramente ficcionais ou baseados em factos verídicos, podem-me marcar para o resto da vida.
por isso é que quando me falam em grandes filmes, só me vem à cabeça algo que entrou e nunca mais saiu, tal como o 21 Gramas (Sean Penn), Monstro (Charlize Theron), Laranja Mecânica, A Vida é Bela, são apenas alguns exemplos.
e relativamente a livros o cenário não é diferente.
este ano li "A Solidão dos Números Primos"e apesar de não se tratar de uma obra prima a nível literário, não lhe vou esquecer o conteúdo, com toda a certeza.
citando a sinopse do livro, um número primo é inerentemente solitário, só pode ser dividido por si próprio ou por um, nunca se adaptando aos outros números. Não é de aritmética que a história trata, mas das vidas singulares de duas pessoas, que a dada altura se interceptam e acabam por reconhecer muito de si, no outro.
e no entanto, aquilo que poderia ser tão fácil e linear aos olhos das outras pessoas ditas normais, é absolutamente complexo para estas duas, igualmente ímpares.
é que por vezes lemos e vemos coisas que não cumprem apenas a função lúdica de nos entreter, mas que subtilmente nos fazem pensar e compreender outras histórias que acontecem no filme do nosso dia a dia.
e quando assim acontece, é não pensar em demasia no final, seja ele feliz ou não.
hoje vi o filme, mas escusado será dizer que o livro é bem melhor.
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