O inicio deste mês de Abril não foi nada fácil, começando com o cunho duro que só a morte sabe dar.
Questionamo-nos em vários momentos sobre a nossa hipotética reacção em relação a determinadas circunstâncias, traçamos quiçá alguns esboços de como tudo poderá ser, mas estaremos sempre a anos-luz de controlar a imprevisibilidade das nossas emoções, para o bem e para o mal.
E o pior é quando se pensa que outro tanto de menos bom, estará ainda por vir.
Eu não sou uma pessoa forte e admito-o, mesmo indo contra a opinião daqueles que me conhecem bem e dizem que, não sou como me penso.
Talvez por isso e por essa enxurrada que me leva e lava em tristeza, nos momentos seriamente difíceis, em momentos que me fazem confrontar com o extremismo daquilo que, nunca mais vai ser como outrora o foi, talvez por isso, eu toda a minha vida procurei saber rodear-me de pessoas extremamente fortes, sábias condutoras dos dias e com um carisma despretensioso e incontornável. É isso que eu mais admiro, a par com o altruísmo.
Às vezes sinto-me assim, sábia condutora dos meus dias e o desafio maior é fazê-lo exactamente naqueles dias em que nos apagaram a luz e não fazemos puto de ideia onde se encontra o interruptor.
Por tudo isto e muitas mais coisas, só tenho a agradecer. Agradecer a essas pessoas que me inspiram (acho que nem elas sabem o quanto), agradecer pelo que consigo sentir como meu, agradecer até mesmo à rudeza dos dias, que me mostra que a maior parte dos meus outros momentos, serão tudo, menos rudes.
Este mês começou agreste, mas a soma das horas leva quase tudo na enxurrada e o que resta do que passou, é apenas o que merece ser guardado.
Apesar de tudo,acabei de dar o primeiro passo em frente para realizar o meu grande sonho (porque os sonhos servem para serem alimentados) e,
há uma nova vida que espalha alegria cá em casa ( um cachorro de 2 meses, que em pouco tempo vai pesar mais do que eu)
é assim.
o amor e os bons sentimentos são aquela energia que se renova sempre.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
pedaços grandes de vida
havia tanto para contar, mas as boas memórias, que são tantas, atropelam-se quase em gritos histéricos na minha cabeça.
começaria pelo dia completamente inusitado em que entraste na minha vida, pelo impulso tremendo com que te agarrei e disse "és minha!". Quanto ao resto, logo se veria, porque a paixão quando irrompe cá dentro, é livre, desgarrada.
e continuaria. Continuaria pelos episódios líricos de um sofá transformado em bocados de esponja espalhados pelo chão da sala e tu virada para a parede, convicta de que estarias perfeitamente escondida dos meus olhos incrédulos, perante tal cenário caótico.
continuaria a contar a tua história, lembrando as longas tardes de chuva em que dormias a meu lado, ou aos meus pés ou então os serões demorados de jogatanas, festas e cantorias.
estiveste lá sempre.
inclusivé estiveste sempre comigo, quando deixaste de o estar, durante os quarenta e cinco dias em que foste uma fugitiva sem precedentes e por um feliz acaso do destino (porque lá está, a vida também nos prega boas partidas), voltas em corpo presente aos meus dias e eu abraço-me a ti, decidida a jamais te tirar a vista de cima.
eu estive sempre contigo, na dura luta que foi manter-te comigo, numa vizinhança de baixo calibre.
eu estive sempre contigo, nas vezes em que eras tu que me passeavas em flecha, pelas ruas pujantes da tua infância.
e continuaria com tanta coisa por contar.
a nossa história terminou hoje,nesta maldita madrugada, em que os teus 14 anos não nos deixaram continuar nem por mais um dia, esta nossa vida conjunta.
voltaria atrás por tudo isto, por todas estas memórias incálculaveis que me deixas e que se atropelam dentro de mim, neste preciso momento em que as lágrimas me atropelam a dor abismal de te ter perdido.
amo-te para sempre, minha crazy Mary (tal como diz a música, graças à qual encontrei o teu nome, num espaço e num tempo que já não existem)
quinta-feira, 19 de março de 2015
esta que eu sou
Esta que eu sou, por vezes não está cá
não se cataloga
não se questiona
não julga, nem admite julgamentos
não sabe se alguma vez perderá o rasto do que não quer, do obsoleto, do desinteressante.
Interessa-me o genuíno e o genuíno que me interessa, nem sempre é tangível, nem sempre é real.
Esta que eu sou, por vezes parte para longe, levando consigo a dádiva das coisas importantes.
Há dias em que vivo num mundo de palavras, palavras vivas em mim,
que
não
dormem.
E eu não durmo, nem vivo sem elas.
Esta que sou eu está aqui.
não se cataloga
não se questiona
não julga, nem admite julgamentos
não sabe se alguma vez perderá o rasto do que não quer, do obsoleto, do desinteressante.
Interessa-me o genuíno e o genuíno que me interessa, nem sempre é tangível, nem sempre é real.
Esta que eu sou, por vezes parte para longe, levando consigo a dádiva das coisas importantes.
Há dias em que vivo num mundo de palavras, palavras vivas em mim,
que
não
dormem.
E eu não durmo, nem vivo sem elas.
Esta que sou eu está aqui.
domingo, 8 de março de 2015
sem vergonhas
hoje é o dia da mulher, embora já saibamos de antemão, que à parte datas institucionalizadas, todos os dias são sempre dias de tudo aquilo que é importante na vida.
porque todos os dias são viáveis de serem comemorados, em prol do que ou de quem merece essa comemoração.
esta data e a sua origem remonta a muitos anos atrás, a uma história verídica de mulheres, a qual vale a pena ser conhecida por toda a gente. Se ainda não a conhecem, just google it.
hoje comemora-se o dia da mulher enquanto ser humano digno de direitos e de respeito; enquanto mãe que não negligencia o tacto e o trato em doses robustas àqueles que trouxe ao mundo; enquanto indivíduo que busca a realização pessoal e profissional; enquanto Ser-Tentativa de tudo poder , numa luta desgarrada contra o tempo que a desafia e lhe quer mostrar a ela, mulher, que contra o tempo nada se pode fazer.
vem mesmo a propósito de tudo isto o livro que acabei de ler.
a Ana só é diferente de tantas outras mulheres, no facto de ter tido a coragem de verbalizar o que muitas não conseguem sequer admitir em monólogos interiores.
não é vergonha nenhuma aceitar que o epíteto de super mulher não existe, que as fraquezas caem sobre nós quando menos se espera, que há momentos em que carregar no botão off seria a condição mais viável.
a todas as mulheres, digo-vos para lerem este livro escrito à laia de diário, cujos textos encarnam socos no estômago, de uma realidade crua à qual por vezes não se crê ser possível fugir.
ponha o dedo no ar, aquela que no final não se tenha identificado pelo menos com uma passagem destes textos escritos pela Ana.
de resto, só quero fazer um grande brinde às digníssimas mulheres deste mundo.
Cheers
domingo, 1 de março de 2015
dizem que o céu é o limite
Há momentos em que, inexplicavelmente, tudo se simplifica.
Há momentos em que, sem saber muito bem como, nem porquê, os níveis de serotonina disparam e os neurónios comunicam entre si numa espécie de dança assertivamente sincronizada.
É um estranho sentimento que, embora não revele nada de novo, me traz um apaziguamento geral, qual descoberta do santo graal de tudo aquilo que é claro e descaradamente óbvio.
Não sei se isto costuma acontecer a vós, que me seguem nestas linhas, mas caso aconteça, por muito escassas vezes que sejam, só tenho uma coisa a dizer:
vão por aí.
Porque estou muito certa, pela experiência que tenho, que esta estirpe de momentos que revelam uma bizarra clarividência, só nos podem querer imenso bem.
Posto isto, há que desamarrar os nós, agarrarmo-nos ao essencial e seguir em frente, mesmo que os passos em frente não sejam sinónimo de vitórias.
Tal como disse um dos meus grandes mentores da escrita, Vergílio Ferreira,
tentar provar o futuro, é muito mais interessante do que poder conhecê-lo; não é o "ganhar", mas sim o "poder ganhar" que é importante. Porque nenhuma vitória se ganha, se se não puder perder.
e como a vida é feita de tudo o que é bom e mau, de vitórias e de derrotas, de doce e amargo, de risos e lágrimas, de passado e de presente, eu vou por aí, por onde os meus níveis altos de contentamento me ditam caminho, de forma a fazer o meu futuro.
Há momentos em que, sem saber muito bem como, nem porquê, os níveis de serotonina disparam e os neurónios comunicam entre si numa espécie de dança assertivamente sincronizada.
É um estranho sentimento que, embora não revele nada de novo, me traz um apaziguamento geral, qual descoberta do santo graal de tudo aquilo que é claro e descaradamente óbvio.
Não sei se isto costuma acontecer a vós, que me seguem nestas linhas, mas caso aconteça, por muito escassas vezes que sejam, só tenho uma coisa a dizer:
vão por aí.
Porque estou muito certa, pela experiência que tenho, que esta estirpe de momentos que revelam uma bizarra clarividência, só nos podem querer imenso bem.
Posto isto, há que desamarrar os nós, agarrarmo-nos ao essencial e seguir em frente, mesmo que os passos em frente não sejam sinónimo de vitórias.
Tal como disse um dos meus grandes mentores da escrita, Vergílio Ferreira,
tentar provar o futuro, é muito mais interessante do que poder conhecê-lo; não é o "ganhar", mas sim o "poder ganhar" que é importante. Porque nenhuma vitória se ganha, se se não puder perder.
e como a vida é feita de tudo o que é bom e mau, de vitórias e de derrotas, de doce e amargo, de risos e lágrimas, de passado e de presente, eu vou por aí, por onde os meus níveis altos de contentamento me ditam caminho, de forma a fazer o meu futuro.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
do outro lado do rio
mal sabia eu, quando mudei a vida e a morada, há 6 anos atrás, que "aterraria" num sítio do qual tão pouco conhecia e com o qual num ápice me familiarizei.
a vida tem destas coisas giras.
para além de haver casas mesmo muito bonitas (daquelas tais que me põem maluca, com chão em madeira e tectos altos), há um sentimento bairrista que sempre me agradou, há uma sensação de quietude quase campestre em determinados sítios ( e temos tido a sorte de habitar sempre, ao longo destes anos, em casas que propiciam estes sentimentos).
o facto de ir a pé para praticamente todo o lado, para além de ser factor primordialmente positivo, por vezes dá-me a conhecer boas surpresas.
foi o que aconteceu um destes dias, enquanto descia a avenida, rumo a Cacilhas e me deparo com este café/loja vintage, que em nada fica atrás aos que se podem encontrar, por exemplo em Amesterdão, cidade linda, que habita o meu imaginário idílico e que é rica em espaços assim.
pois bem, trata-se de uma muito antiga loja de calçado e é daí que vem o nome, que se mantém:
Depósito da Fábrica.
agora é um espaço irresistível, altamente convidativo para todos os apreciadores do vintage.
a Carla, a simpática dona (do espaço e do extremo bom gosto) conseguiu transpôr para estes metros quadrados que estavam ao abandono, uma essência única, uma máquina do tempo deliciosa, onde nos apetece demorar. Lá, quase tudo se vende: roupa, discos, latas antigas, peças há muito desaparecidas.
serei freguesa frequente, deste depósito de maravilhas, muitas delas já arquivadas na nossa memory lane, mas que aqui tornam a ganhar vida.
...e que vida!
* Depósito da Fábrica
rua Comandante António Feio
Cacilhas - Almada
domingo, 1 de fevereiro de 2015
o nobre acto de reagir
quero deixar para trás as memórias de um Janeiro agreste, penoso na alma e duro no corpo, um inicio de ano que deixou estilhaços na memória futura.
Reagir é o verbo primordial e muito provavelmente o mais individual de todos os verbos de acção.
Porque até se pode pedir a alguém que aja por nós em variadas circunstâncias, mas nunca será possível pedir a terceiros que reajam por nós; reagir é resistir, é lutar, é fazer face a.
cada um é dono da sua reacção.
cada um é responsável pelas consequências, pelo proveito do seu acto de reagir.
e este individualismo é essencial, se bem que se for alimentado por abraços alheios, tanto melhor .
Janeiro foi assim. Um mês de provas de reacção sucessivas.
quero dias melhores,para mim e para os que me estão próximos e que foram na enxurrada impiedosa dos primeiros dias do ano.
e reagir é a palavra de ordem.
hoje Fevereiro estreia-se, num domingo com sol e estamos em casa.
já fiz panquecas, chá e café.
a miúda pequena não tem mãos a medir com tudo aquilo com que quer brincar e se o sol persistir, ainda vai dar o gosto à perna, na bicicleta.
a manhã ainda não terminou e consegui sentar-me a escrever.
reagir é a palavra de ordem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





