domingo, 4 de janeiro de 2015

de molho

comecei o ano "de molho". Aquilo que inicialmente era uma grande dor de garganta, culminou numa gripe daquelas que dão direito a febre de 39º, a voz presa por um fio sonoro irreconhecível e o corpo rendido aos tremores e à tareia que as gripes descomunais têm para oferecer.
a parte boa tem sido dormir, como há muito tempo não o fazia.
entretanto também vi um filme, que já me tinha despertado a atenção pela temática,na altura em que saiu no cinema, mas só agora tive a oportunidade de ver.
e só vos digo que as minhas expectativas foram totalmente correspondidas.
é um filme brilhante, quer pelo tema que aborda, o lado terrífico da psique humana, quer pela forma como está realizado, quer pela excelente escolha / interpretação dos actores.
lá está, entrou directamente para o rol dos "filmes que me dão socos no estômago", pintado numa crueza que só visto.

  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

release

olá 2015 !
a agitação das festas já lá vai, e o que resta delas são os bons momentos que guardamos cá dentro.

é curioso o efeito da passagem do tempo em nós e como aquilo que foi antigamente uma espécie de "última coca- cola no deserto" , se torna em algo perfeitamente normal. É o caso, por exemplo, da noite de passagem de ano. Antigamente creio que ainda a tinha em mais conta, do que ao próprio Natal,porque era sinónimo de festa, de muitas horas extensas de festa, em que dançava tanto, ao ponto de no dia a seguir,( após as horas, também elas extensas, de sono, em que acordava a não saber a quantas andava) mal me aguentar de pé .
ah a loucura da adolescência...! esse patamar da vida tão alegórico.
agora, volvidos vinte anos, gosto e prezo tanto o meu sossego, que só de pensar em mim no meio da multidão de uma discoteca, ainda por cima numa noite de passagem de ano, faz-me tonturas.
agora, a "espécie de última coca-cola no deserto" desta altura do ano, é sem dúvida o espanto do sorriso da minha miúda, ao deparar-se com as prendas trazidas pelo pai natal e ao fazer-se crer sem margem para dúvidas, de que realmente o está a ver, de alguma forma,lá longe, através da janela, na noite de natal.
e isto que ela emana é mesmo contagiante e é de facto o que de mais precioso guardo desta quadra festiva.
o meu pai natal foi um querido e atento aos meus desejos, como tal, trouxe-me o tal gira-discos que eu já andava a namorar há um bom tempo, entre outras coisas que obviamente me deixaram feliz.
entretanto tenho andado a pensar em 2015. Nunca alimentei a utopia de que é o caderno em branco que nos muda a vida, mas sim aquilo que nele escrevemos. Há coisas que eu queria, umas tangíveis, outras não, outras quem sabe; umas dependem da sorte/destino/acaso, outras dependem inteiramente do quanto eu trabalhar para que se realizem. E não é preciso ser ano novo, para começar esse trabalho - já o iniciei há uns bons meses atrás.
Precisamente em 2014, comecei a agir de forma mais séria no que respeita a fazer o que me apaixona e me deixa feliz, deixei-me de teorias e passei à prática.
e não volto atrás, no matter what.
posto isto meus caros, quer-se é saúde e um bocado de sorte, o resto constrói-se e deixa-se fluir naturalmente, sem esmorecimentos, sem baixar os braços. 








segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

season´s greetings

a pausa pela qual gritávamos em surdina, chegou.
precisávamos de sentir distância do meio habitual, das pessoas habituais, dos sítios habituais, aliados aos rituais tão habituais quanto ligar uma televisão ou um computador, passar demasiado tempo ao telefone, atrofiar os movimentos em gestos por demais mecânicos e quotidianamente sincronizados.
na semana que passou, quisemos romper para lá da membrana diária que nos envolve na maior parte dos dias e procurar ar novo e transparentemente limpo, imaculado até.
o tempo não existe em lugares assim, porque o tempo ali não tem importância;
em lugares assim, a memória é um vaso de flores, que perdura na janela de uma casa perdida nos tempos de agora.
a contagem cronológica cede  lugar ao compasso bucólico do que existiu, antes daquilo que existe no momento presente.
não me interessam os relógios, para dizer a verdade, estou farta deles.
da vida apenas levamos as memórias que o coração quis abraçar.

e o coração nada sabe de minutos contados.







 agora não posso deixar de vos desejar, a todos os que por aqui passam e me leem, um natal cheio de momentos felizes,porque são esses momentos que levamos da vida.
e comecem desde já a catalisar as vossas boas energias e pensamentos, para o novo ano que está ao virar da esquina. Eu já comecei .





FELIZ NaTaL*+*+***+


 ...e um 2015 em cheio! *+*+*+*+* :)

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

quero ir por aí

não faria muito sentido eu escrever um texto, puxando a brasa à sardinha alfacinha, tendo em conta que eu sou mulher do norte. Nestas coisas, eu ajo como nas preferências futebolísticas: sou da selecção portuguesa. Ponto.
já referi por aqui, que gosto muito do meu país;  nele habitam e só dele são próprias, coisas que a todos os outros países do mundo fazem despontar uma razoável inveja e é natural. Também eu com toda a certeza a sentiria, em relação a determinadas coisas.
agora e já há mais de uma década, que a minha casa é em Lisboa, mas tenho uma (felizmente) rica história de vida nas raízes e terras nortenhas, onde não há menos coisas bonitas a acontecerem, comparativamente com a capital e bom exemplo disso, temos o Porto, que foi considerado melhor destino turístico. Por falar nisso, tenho de o revisitar. Tenho saudades dele, dos sítios novos que entretanto lhe fizeram nascer e renascer, sinto-lhe a falta de uma espécie de colo nostálgico alusivo aos meus primeiros anos de idade adulta, para não falar daquela pronúncia escandalosamente bem disposta (ou irada!) que não existe em mais lado nenhum.
entretanto, o melhor é ir curtindo da melhor forma aquilo que está à nossa volta, seja qual fôr o sítio em que habitemos e nesta época natalícia, confusões e multidões à parte, há que tirar ainda melhor proveito, pois é inegável a auréola quase mística que pulula por todo o lado.
por isso, só vos digo que um dia passado sem as confusões de trânsito/carro, a palmilhar os cantos e recantos desta cidade que eu adoro, que é Lisboa, conhecer-lhe demoradamente os segredos que alberga, fluir-lhe nas suas artérias de histórias e desaguar no azul de um rio imenso, é o mesmo que dizer que no final do dia se regressa a casa de coração cheio.
e não são precisos grandes planos: basta sairmos de casa confortáveis, mochila às costas, máquina fotográfica munida de bateria cheia, boa disposição...e o resto acontece, naturalmente.
raras vezes o tiro sairá pela culatra.
e agora, arremato com uma pequena citação de um escritor que eu adoro, o Afonso Cruz e tanta razão tem naquilo que diz:

       a felicidade é uma péssima corredora e é fácil fugirmos dela.
       em contrapartida, a tristeza é uma excelente corredora.

      apanha-nos facilmente.      






sexta-feira, 28 de novembro de 2014

just Kate

 


"I like old-fashioned things.
I like reading Fitzgerald, Oscar Wilde, Evelyn Waugh, all those classics.
And then, I just like rock'n roll. Old or new."

           Kate Moss

faço minhas, as palavras dela.

e quem sou eu para lhe contestar os gostos...?






domingo, 23 de novembro de 2014

temporada aberta


quando há um ser pequeno numa casa, daqueles seres que no nosso incrédulo subconsciente parecem ter nascido há poucos dias, mas que na realidade, já nasceram há tempo suficiente para fazer a sua vontade e opinião saírem disparadas sem qualquer tipo de pudores, pode-se dizer que o Natal não é quando o homem quer. Nem a mulher.
é a criança, senhores.
como tal, a fidelização que eu tinha (até então) em realizar as decorações natalícias no primeiro dia de Dezembro, esfumou-se no trilho do trenó do pai natal.
na verdade, é coisa que não me aborrece nada. É sinal que ela anda feliz, entusiasmada, alegre com a sua vidinha, por isso, a nossa casa já está preparada para as festividades.
não sei por quanto tempo se aguentarão as bolas e as fitas na árvore, dado que:  3 anos # 3 gatos = escravatura organizacional.
mas há vida nesta casa e isso é o que interessa.






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

danças soturnas

por vezes tenho a cabeça cheia de tanto, quanto o espaço de uma folha em branco
tento dar voltas na vida, tantas, quanto as voltas que dou na cama
momentos em que olho para dentro de mim e há o enigma obscuro de um poço sem fundo.
por vezes.

há momentos nos quais vislumbro o meu lado terrífico de uma impulsividade desmedida
e então agarro-me ao descalabro do instante, mesmo que o instante me transforme em vidro fosco e me parta logo a seguir em pedaços irreparáveis.
há momentos.

escuto-me sempre, quando dou por mim em gritos ensurdecedores comigo mesma
gritos mudos e acutilantes
gritos secos e impiedosos.
escuto-me.

por vezes. há momentos. em que tenho de me escutar.