segunda-feira, 21 de julho de 2014

no reino do pastel de nata



 o nosso país à beira-mar plantado, é uma jóia.
 há sítios tão bonitos, que são quase capazes de me roubar as palavras e de me reter o fôlego. Ou pelo contrário, fazem-me respirar fundo, fechar os olhos e não pensar em mais nada. Nada mais do que ali tenho, naquele instante, naquele agora.
por vezes temos a mania de que o estrangeiro é que é bom, "lá fora" é que há isto ou aquilo, enquanto se menospreza e tão pouco se conhece do nosso próprio país.
há coisas que eu gostaria que Portugal tivesse, em comparação com outros países,mas essas coisas estão mais relacionadas com determinados valores de sociedade e parâmetros políticos, do que propriamente com o país em si.
adorava por exemplo, que as pessoas perdessem o síndrome da ostentação e a mania das grandezas (sim, eu sei que há de tudo em todo o lado, mas vejo isto em demasia, quase todos os dias da minha vida)  vivendo acima das suas possibilidades e endividando-se como se não houvesse amanhã (porque o amanhã é longe demais e o pagamento a crédito também o é ) e adoptassem o espírito dos escandinavos (Holanda, estás sempre no meu coração), que aproveitam o momento, com celebrações simples à vida; adorava ver a educação e o civismo que existe no povo japonês; adorava que o empreendorismo que se vê e se sente num povo, através das medidas sociais e políticas, o fosse também para nós, portugueses, tal como o é para outros povos, de outros países, desta mesma europa.
isto não é um discurso de "misses", em que a seguir proclamo a paz no mundo.
isto é tudo para dizer que, o país é lindo, em termos da sua história, dos seus tesouros deixados através de séculos, de monumentos incríveis e paisagens naturais maravilhosas, no que respeita a outras coisas , ainda há muito trabalho pela frente.

e resta-me deixar um grande bem haja a quem se empenha ao longo da vida a deixar um legado exemplar e empreendor, para os que lhe estão mais próximos, para a sociedade, para o país, para o universo.
Portugal, és lindo,és grande.
    












quinta-feira, 17 de julho de 2014

os pequenos nadas


noutro dia, num passeio pela baixa de Lisboa com uma amiga, desabafei que paradoxalmente tanto adoraria viver no campo, com o verde, o silêncio intercalado com os sons naturais, os animais e uma vida sossegada, como me imagino a viver no centro de uma cidade, num prédio centenário, com tectos altos e trabalhados, em que saio à rua e tenho uma parafernália de acontecimentos à minha porta.
creio que sempre senti isto e não será exactamente típico da idade.
de momento, essa plenitude idílica do campo ainda não me parece viável, ainda há muito a acontecer nas nossas vidas e sinceramente, para uma pessoa como eu que tenta evitar ao máximo andar de carro, morar num sítio campestre maravilhoso, em que para ir beber um simples café,tenho de conduzir...não me seduz. Eu vejo de facto esse cenário de campo na minha vida, mas mais para a frente.
para já, gosto de tentar unir o melhor desses dois mundos: vivemos no centro de uma cidade, com absolutamente tudo ao pé,sem necessitar de conduzir, mas ao mesmo tempo, é um bairro sossegado, cheio de flores, jardins e chilreares, onde da janela de casa, nem a lua falta a espelhar-se no rio.
vou a pé comprar o pão, beber o café, levar a minha filha à escola, a vizinhança cumprimenta-se, oferece ajuda para levar os sacos das compras, vou ao mercado, vou à florista, vou ao teatro, vou à casa de chá mais gira da cidade ( e arredores), palmilho as lojas de velharias e ainda me estendo na relva num dos sítios com a vista mais bonita do rio e de Lisboa.- a pé,tudo isto posso fazê-lo a pé.
e nem fazem ideia do quanto estas pequenas coisas podem tanto fazer pelo meu dia.






 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

seco,duro,cru e estupidamente real


só agora vi este filme, apesar de já o querer ver desde que saiu no cinema. Sabia de antemão que mesmo que o fosse ver no cinema, a sensação de soco no estômago seria a mesma, se caso optasse por o ver em casa, no meu sofá.
foi o que aconteceu.
claro que vindo do Michael Haneke, não estava obviamente à espera de um mundo cor de rosa e de bandas sonoras memoráveis, porque aqui o memorável que se agarra às paredes do estômago é a crueza de uma realidade, ao som de um silêncio perturbante.
a questão é que isto é mais do que um filme. isto infelizmente é o reverso da medalha de tudo aquilo que é bom na vida:  é o lado negro, o poço escuro, a caverna.
este filme, que não é bonito de se ver, retrata um exemplo dos limites da dedicação e resistência humanas, mostra-nos o quão bonitos e saudáveis e quase eruditamente infinitos somos hoje. E amanhã....somos nada.
assistir à degradação crua e impiedosa de alguém que é tanto e foi tanto para nós, é das coisas mais atrozes que existem. infelizmente tenho-a na minha história de vida e só posso dizer que felizes são os que não sabem o que isso é. 

é na grandiosidade dos sentimentos que reside o melhor da essência humana e era tão bom que se tomasse isto como ponto de partida, logo desde os primórdios da existência.

e se não quiserem saber destes assuntos para nada, não vejam este filme, esqueçam este texto, mas também não pensem que isto só acontece aos outros.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

objectos de desejo

Dois livros que eu inconscientemente há muito esperava e mais uma vez se concretiza a velha máxima de que quando menos se espera, as coisas (boas) acontecem.



 Jane & Serge- a family album  
Serge Gainsbourg era longe de ser um homem bonito, mas foi inegavelmente uma espécie
de génio, que como todos os génios, planava no limiar da loucura e da proeza.
Com Jane Birkin, formou um dos casais com mais estilo ( com o seu devido grau de loucura, claro )
de sempre.


Sharon Tate: Recollection
há pessoas que podem ter existido e deixado de existir há muito tempo, que independentemente da distância temporal, mal tropecei o meu saber na sua existência, apaixonei-me de imediato por elas, sem meios termos (aliás, como tudo aquilo por que/quem me apaixono).
A Sharon Tate pertence a esse rol, cuja vida culminou tragicamente num dos crimes mais bárbaros que existiu, em prol de uma loucura absolutamente desmedida, insana, cruel.

E agora tenho estas duas pérolas a caminho das minhas mãos, ao vivo,a cores e a preto e branco.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Catarse


a escrita é definitivamente uma cura, uma terapia, o remédio indispensável.
que nunca me falte a vontade, porque caso tal aconteça, eu já não serei eu, mas outra coisa qualquer.
escrever é falarmos de nós para nós, com a eventualidade de ao mesmo tempo o darmos a conhecer aos outros. Ou não.
é passear lado a lado com a nossa wild side e experimentarmos sensações limite, fora dos limites da nossa cabeça.
é poder dar vida ao e se  
é o manifesto da anti resignação
é voar sem asas
é o colírio aos olhos da alma
.
.
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é o melhor antídoto para o lado mais negro da vida.
e quem escreve, definitivamente existe.

     
        

segunda-feira, 23 de junho de 2014

a qualidade do tempo ou tempo com qualidade

Tenho uma certa inveja dos workahollics. Ou portuguêsmente falando, daquelas pessoas viciadas em trabalho. No trabalho que têm de fazer todos os dias. E que adoram.
Daquelas pessoas que não são comidas pelo stress dos minutos que têm impreterívelmente de ser contados ao segundo. Ou se são, não se importam com isso.
Confesso que para equilíbrio da minha própria sanidade mental, tenho de habitar num plano paralelo e utópico, que metafóricamente vejo como a montanha que eu tenho que escalar: todos temos que ter um objectivo de vida quando nos levantamos da cama, e o meu é este.
Para quem é sugado por esse tal stress, que é o meu caso, acho que só ambiciona atingir a esfera da quietude, num plano quase transcendente, onde os relógios não são necessários e eu não precisarei de contar os minutos para nada.
Quietude, silêncio, tempo para o que / quem é realmente importante na minha vida, ser inundada de muitas palavras,sim, mas as escritas, que tanta falta me fazem todos os dias.
Ter tempo para estar mais tempo com a minha filha e vê-la a crescer lânguidamente, sem me chocar de repente com o facto do quão crescida que ela está.
Ter tempo para pôr o meu equipamento de alpinista ás costas, que é como quem diz, a minha toda parafernália de sonhos, planos e ideias e fazer-me à montanha, cujo cume está , à minha espera.
E eu acordo de novo amanhã, com os meus pés e cabeça assentes, no objectivo de o fazer.