por vezes tenho vontade de pegar em mim e nos amores da minha vida e fazer algo completamente diferente: novos espaços. novos afazeres. novas caras.
rumar em direcção à certeza do incerto e darmo-nos ao luxo de novos ares, só porque a vida é só uma, o tempo afoga-se no próprio tempo e parece não haver tempo para o que de mais importante existe,começando por nós próprios.
porque é tão urgente viver. viver sem contar as horas que faltam para acabar mais um dia de trabalho chato. viver sem contar os dias que faltam para o final do mês. viver sem contagens de espécie alguma.
desde miúda que tenho um fascínio tremendo em habitar, nem que fosse só por temporadas, em sítios que de alguma forma me apaixonaram à primeira vista.
se de repente me tornasse financeiramente excêntrica,era isso que faria: coleccionaria casas,por cada terra que visitasse e pelas quais me apaixonasse.
citando as palavras da Natália Correia, "onde vos retiver a beleza de um lugar, há um deus que vos indica o caminho do espírito". e há sítios onde parece nos revermos ao espelho, nós e o espírito.
e depois penso que isto são só disparates da minha cabeça,que a vida que eu tenho é muito boa e que afinal, as "arestas" a serem limadas são de outra envergadura . passo a vida em
brainstormings possíveis, para que as possa limar. e também é por isto que me lembro tantas vezes daquele poema do Pablo Neruda, que diz que "morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho".