terça-feira, 5 de novembro de 2013

O desejo e as fugas

Aproveitando a maré dos momentos especiais,nada como rumar ao campo,onde o silêncio e a quietude contrastam com a parafernália dos dias comuns.
Precisávamos disso,como de alimento para a boca.
Nestes sítios sinto-me inteiramente capaz de esquecer de forma autêntica o que é a pressão, o stress,os dias esgotantes e freneticamente agitados,dias esses em que somos literalmente engolidos pelos afazeres da vida quotidiana e o sumo essencial que se tira no final,é muito muito pouco.
Não é suposto viver-se constantemente atolado em trabalho,na pasmaceira de lugares-comuns e no "fazer-contas-á-vida".
A vida não está fácil,o dinheiro "encolhe" cada vez mais, a consternação na cara das pessoas cresce a olhos vistos e parecemos impregnar-nos de uma absoluta resignação e placidez dos dias.
Eu não fujo a isto,porque isto infelizmente é inevitável. Uns dias mais do que outros.
Por isso, ás vezes é preciso dizer um grande "que se lixe!" e dar asas ao desejo. Viver. Acima de tudo, Viver,como deve de ser.
Quando assim é,vamos lá dar um passeio e poisar a vista em sítios novos e bonitos, rodear-mo-nos do som que os ouvidos merecem e alimentar a alma...!
E no seguimento disto,porque a vida não é só pagar contas e trabalhar para as poder pagar,há que nos sabermos mimar com aquele objecto de desejo que já há algum tempo habita no nosso subconsciente.
No meu caso em particular,as lojas virtuais que encontro,tornam-se mais perigosas do que as lojas físicas (para as quais confesso ter cada vez menos paciência). O amazon e o etsy estão no topo da lista, "passeio" por lá várias vezes, o carrinho de compras vai sendo carregado e uma vez por outra,dou-me uma prenda,porque mereço. E não começo a fazer contas,porque o peso na consciência é algo que não me assiste - ando sempre com ela, a consciência, tranquilíssima.
Isto tudo para concluir que há momentos em que temos mesmo de "fugir" e soltar o desejo que há em nós.








Visita a Monsanto; passear onde o chão é verde; um livro sobre uma paixão que tenho: caravanas (e se tiverem um toque vintage,ainda melhor..!); uma mochila (andava há um bom tempo á procura de uma que me enchesse as medidas) handmade encontrada numa loja maravilhosa no etsy.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

os dias em que somos particularmente felizes

Sempre vi o dia de aniversário como "aquele" dia em que somos ainda mais vibrantes com a vida, porque há ali um misto particular de boa energia e sensações .
E sempre lhe irei dar valor,porque ele,o dia,existe mesmo para isso: para lhe darmos valor.
Como tal, e mais uma vez, rodeei-me de tudo aquilo e de quem me faz feliz e fiz valer o carpe diem do meu dia.
Foram 24 horas de festejo,que começam sempre de véspera.
A mim resta-me um coração cheio de bons momentos, de pessoas bem humoradas, de sentimentos fortes e de sítios únicos.
E uma gratidão enorme pela vida que tenho.















  

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

a idade é tão somente nada










Estou a dias de fazer 37 anos.
Jamais verei o reflexo de qualquer combinação de dígitos em mim.
Isto porque ainda revejo na minha forma de ser,convicções e pensamentos com os quais travei conhecimento e moldaram o meu eu, enquanto criança.
Nessa tenra idade, brincava,sonhava,criava ilusões e tinha simultaneamente atitudes de pessoa adulta,posturas determinadas que ainda hoje a minha mãe me confirma e relembra.
Hoje,adulta,tenho fraquezas,laivos de incerteza,momentos de inegável impotência por querer fazer mais,querer poder mais,querer dar mais de mim,querer quebrar o aço gélido do que é injusto e me revolta.
Sou um ser sem idade tangível,contabilizável,quantificada.
Não me posso classificar nem tão pouco reflectir,ou resumir-me tão somente num número.
Sou tudo. E por vezes sinto-me um nada.
Uma partícula ínfima,no meio de biliões de partículas que estão de passagem.
E no entanto não me reduzo. Jamais.

A idade é nada: vejo adultos com birras de miúdos e miúdos a comportarem-se como adultos.
Eu sou uma miúda. Uma miúda em corpo de pessoa adulta.
Uma pessoa adulta que continua a gostar de brincar,sonhar e criar ilusões,como quando era criança.
  

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Aqueles momentos em que o universo conspira a favor

 Fim de semana.
em que só me ocorre pensar avidamente em coisas aconchegantes e descanso (muito!),tudo
obviamente dentro do possível,mas a partir do momento em que sei que no dia seguinte não haverá despertador programado para me acordar a hora imprópria (para mim,tudo o que seja acordar antes das 7h30 é impróprio),já me dou por imensamente satisfeita. Tudo o resto há-de fluir,ao seu ritmo.
E como eu gosto desta fluidez implícita no ritmo natural da vida.
Apetece-me (muito!) ficar um par de horas na cozinha e nisto tem uma grande parte de culpa este blogue maravilhoso,do qual já me tornei seguidora assídua e que tem a fantástica conjugação (feita na perfeição,diga-se) de : fotografia,viagens e receitas. Quando as conjugações são feitas de tal forma sedutora,eu apaixono-me perdidamente e depois é um caso sério.
Apetece-me enroscar-me no sofá a ver um bom filme ou a ler um livro.
Apetece-me ter em mim todos os minutos do mundo e que,sendo isto possível,pudesse converter cada um desses minutos,no tempo que me aprouvesse.
Apetece-me levitar a consciência,colocar em modo "descanso" a parte demasiado cerebral e esvaziar a cabeça,nem que por momentos fosse. 
Apetece-me ficar por momentos quieta,a ouvir na perfeição o mais pequeno som que me rodeia e a chuva que bate nas janelas.
Apetece-me ficar assim,como estou neste preciso e exacto momento,em que sinto que nada me falta e me acompanha a ilusão de ter de facto em mim,todos os minutos do mundo.
*Bom fim de semana a quem por aqui passa* 









segunda-feira, 14 de outubro de 2013

coisas inexplicáveis


E depois há aqueles dias em que te levantas da cama e acabas minutos depois,inerte no chão da casa de banho,por segundos com a alma mergulhada no negro da inconsciência e quando despertas,concluis que há definitivamente alguém,algures,que olha por ti. Ou isso, ou as 99,9% de probabilidades que tive de partir a cabeça (mas que,lá está,não aconteceu) fazerem sem dúvida parte das estatísticas dos ditos milagres.
Para bem da minha saúde,é bom que não volte a acontecer outra igual,pois não acredito que este tipo de "sorte" seja muito reincidente...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

a pura e real energia

É sem dúvida,a de mãe.
Das mães que despertam quando ainda a luz da manhã é uma pequeníssima miragem;que trabalham não só fora,mas também dentro de casa (e que trabalheira dos diabos!),das que, adversidades á parte, procuram ver sempre o copo "meio-cheio" e declinam perante a perspectiva do copo "meio-vazio"; das que alicerçam indestrutivelmente um lar e protegem o seu precioso "núcleo" contra tudo e acima de tudo; das que chegam ao final do dia e quando tudo nelas transpira cansaço,se recusam a desistir de sorrir e persistem em manterem-se de pé,em prol do que de facto é merecedor de todo o esforço e resistência; das que finalmente se deitam extenuadas,é um facto,mas com o coração cheio.
Prontas para no dia seguinte, começar tudo de novo.







   

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Outubro

 Conversa,hoje,com uma amiga:

"hoje já me lembrei muito de ti."
"então porquê...?"
" porque começa o teu mês e isso é bom..."

o "bom" nesta pequena conversa,pressupõe "festa". Uma festa que já se tornou uma tradição muito particular,que já dura há anos.
o "bom" para mim,é acima de tudo o aconchego que este mês me traz,de cenários, de memórias de infância, de sentimentos e recordações que o tempo pode esbater,mas nunca apagar.
Outubro faz parte dos meus lugares estranhos que eu procuro sempre revisitar, tantas vezes quanto necessário, todos os meses do ano.