sexta-feira, 25 de outubro de 2013

a idade é tão somente nada










Estou a dias de fazer 37 anos.
Jamais verei o reflexo de qualquer combinação de dígitos em mim.
Isto porque ainda revejo na minha forma de ser,convicções e pensamentos com os quais travei conhecimento e moldaram o meu eu, enquanto criança.
Nessa tenra idade, brincava,sonhava,criava ilusões e tinha simultaneamente atitudes de pessoa adulta,posturas determinadas que ainda hoje a minha mãe me confirma e relembra.
Hoje,adulta,tenho fraquezas,laivos de incerteza,momentos de inegável impotência por querer fazer mais,querer poder mais,querer dar mais de mim,querer quebrar o aço gélido do que é injusto e me revolta.
Sou um ser sem idade tangível,contabilizável,quantificada.
Não me posso classificar nem tão pouco reflectir,ou resumir-me tão somente num número.
Sou tudo. E por vezes sinto-me um nada.
Uma partícula ínfima,no meio de biliões de partículas que estão de passagem.
E no entanto não me reduzo. Jamais.

A idade é nada: vejo adultos com birras de miúdos e miúdos a comportarem-se como adultos.
Eu sou uma miúda. Uma miúda em corpo de pessoa adulta.
Uma pessoa adulta que continua a gostar de brincar,sonhar e criar ilusões,como quando era criança.
  

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Aqueles momentos em que o universo conspira a favor

 Fim de semana.
em que só me ocorre pensar avidamente em coisas aconchegantes e descanso (muito!),tudo
obviamente dentro do possível,mas a partir do momento em que sei que no dia seguinte não haverá despertador programado para me acordar a hora imprópria (para mim,tudo o que seja acordar antes das 7h30 é impróprio),já me dou por imensamente satisfeita. Tudo o resto há-de fluir,ao seu ritmo.
E como eu gosto desta fluidez implícita no ritmo natural da vida.
Apetece-me (muito!) ficar um par de horas na cozinha e nisto tem uma grande parte de culpa este blogue maravilhoso,do qual já me tornei seguidora assídua e que tem a fantástica conjugação (feita na perfeição,diga-se) de : fotografia,viagens e receitas. Quando as conjugações são feitas de tal forma sedutora,eu apaixono-me perdidamente e depois é um caso sério.
Apetece-me enroscar-me no sofá a ver um bom filme ou a ler um livro.
Apetece-me ter em mim todos os minutos do mundo e que,sendo isto possível,pudesse converter cada um desses minutos,no tempo que me aprouvesse.
Apetece-me levitar a consciência,colocar em modo "descanso" a parte demasiado cerebral e esvaziar a cabeça,nem que por momentos fosse. 
Apetece-me ficar por momentos quieta,a ouvir na perfeição o mais pequeno som que me rodeia e a chuva que bate nas janelas.
Apetece-me ficar assim,como estou neste preciso e exacto momento,em que sinto que nada me falta e me acompanha a ilusão de ter de facto em mim,todos os minutos do mundo.
*Bom fim de semana a quem por aqui passa* 









segunda-feira, 14 de outubro de 2013

coisas inexplicáveis


E depois há aqueles dias em que te levantas da cama e acabas minutos depois,inerte no chão da casa de banho,por segundos com a alma mergulhada no negro da inconsciência e quando despertas,concluis que há definitivamente alguém,algures,que olha por ti. Ou isso, ou as 99,9% de probabilidades que tive de partir a cabeça (mas que,lá está,não aconteceu) fazerem sem dúvida parte das estatísticas dos ditos milagres.
Para bem da minha saúde,é bom que não volte a acontecer outra igual,pois não acredito que este tipo de "sorte" seja muito reincidente...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

a pura e real energia

É sem dúvida,a de mãe.
Das mães que despertam quando ainda a luz da manhã é uma pequeníssima miragem;que trabalham não só fora,mas também dentro de casa (e que trabalheira dos diabos!),das que, adversidades á parte, procuram ver sempre o copo "meio-cheio" e declinam perante a perspectiva do copo "meio-vazio"; das que alicerçam indestrutivelmente um lar e protegem o seu precioso "núcleo" contra tudo e acima de tudo; das que chegam ao final do dia e quando tudo nelas transpira cansaço,se recusam a desistir de sorrir e persistem em manterem-se de pé,em prol do que de facto é merecedor de todo o esforço e resistência; das que finalmente se deitam extenuadas,é um facto,mas com o coração cheio.
Prontas para no dia seguinte, começar tudo de novo.







   

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Outubro

 Conversa,hoje,com uma amiga:

"hoje já me lembrei muito de ti."
"então porquê...?"
" porque começa o teu mês e isso é bom..."

o "bom" nesta pequena conversa,pressupõe "festa". Uma festa que já se tornou uma tradição muito particular,que já dura há anos.
o "bom" para mim,é acima de tudo o aconchego que este mês me traz,de cenários, de memórias de infância, de sentimentos e recordações que o tempo pode esbater,mas nunca apagar.
Outubro faz parte dos meus lugares estranhos que eu procuro sempre revisitar, tantas vezes quanto necessário, todos os meses do ano. 


 




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pisar as folhas secas


Agora,é deixar o Outono entrar, sem rodeios.
Quem me conhece bem,sabe o quanto eu gosto dele e do que ele me traz.
E este Outono vai-me trazer coisas boas. Para além das castanhas. Para além de tudo o resto.

Uma boa estação pintada em tons ocre,para quem por aqui passa*






terça-feira, 17 de setembro de 2013

Afinal,é em casa que o nosso coração está,não é?


Hoje em dia,o tempo é tão escasso,que pouco me sobra para fazer uma das coisas que mais gosto: desfrutar da minha casa,das minhas coisas,daquele que é o meu mundo. Não sei se tal preferência poderá estar relacionada com uma espécie de "síndroma de filho único",pois como eu o sou,desde que me conheço que é fácil entreter-me,distrair-me e divertir-me ,all by myself dentro de casa. Esqueçamos as tarefas chatas e que têm obrigatoriamente de ser feitas, e a manutenção diária que  uma casa ( com uma familia lá dentro e respectivas mascotes,claro) implica.
Isso é o que tem de ser  feito.
Mas para além disso,existe o reverso da moeda,que é aquele momento em que opto pelo que me apetece fazer, e por isto entenda-se lazer e não, obrigação. Os dias não podem, não devem de ser exclusivamente compostos pelo carácter intransigente da obrigatoriedade; isso só nos leva a uma autêntica insatisfação e perda de interesse pela vida. 
Bato muito nesta tecla ,é verdade, mas apesar de eu ser uma pessoa adversa ás incessantes obrigatoriedades e acima de tudo, adversa ás tantas coisas que nos impõem todos os dias, impiedosamente,quase que privando-nos de uma liberdade que nos é justa e natural, não consigo,como é óbvio, escapar-lhes e há dias que são menos "meus",pois são engolidos por um sem número de circunstâncias, regras e afazeres.
Welcome to life. A questão está em não fazer deste dias, a essência de todos os dias.
Quanto ao tempo,vou á caça dele..!