É intrínseca à minha pessoa,a necessidade (é mesmo este o termo) de "fazer acontecer".
Se em miúda me entretinha a fazer desenhos, se na adolescência tive a minha fase de pintar ,se há uns poucos anos atrás não passava sem escrever quase diariamente, agora preciso de ter (infelizmente,já não com a frequência que desejaria ) interacção com a máquina de costura.
Preciso.
E é assim,com companhias boas como : tecidos,chá,chuva e Aretha Franklin,que se compõe uma tarde em pleno,tranquila, como eu gosto e vou satisfazendo esta necessidade quase básica.
E com uma "Gipsy Bag" feita,segue-se a encomenda de uma almofada.
Ok. Vamos a isso.
when my soul was in the "lost and found",you came along to clame it
Todos nós temos uma altura na vida,em que sonhamos com o que um dia viremos a ser.
Essa doce infância em que para além de sonhar,acreditamos com essa particular convicção infantil,de que de facto seremos tudo aquilo que queremos ser (sim,porque a criança nunca quer ser apenas uma coisa,mas várias em simultâneo; no meu caso,queria ser bailarina,veterinária e engenheira agrónoma).
Gostava de saber de casos que em adultos,concretizaram esses sonhos de criança.
Eu não sou um deles e creio que a maioria da população mundial não será.
Seja como fôr e independentemente do trabalho em questão,para mim há um factor essencial: trabalhar-se com prazer naquilo que se faz. E aí sim,aí já encontrei verdadeiros testemunhos,em varíadíssimas áreas,de pessoas que gostam mesmo do que fazem,desde a senhora das limpezas,até à pessoa que trabalha na área cinematográfica.
Por vezes entro em sítios tão "cool",com um ambiente tão bom,tão positivo,que a minha vontade imediata (sim,sou impulsiva e tenho de me controlar) é de perguntar se não precisam de empregada...e atenção que não é por ter falta de emprego,porque felizmente o tenho,estável já durante anos. E hoje em dia,cada vez mais,em relação a ter um emprego aplica-se bem o ditado "em terra de cegos,quem tem olho é rei" -infelizmente é cada vez mais escasso,as condições de alguns deles são verdadeiramente precárias e pode conduzir ao desespero das pessoas.
Num contexto destes,sem dúvida que é preciso dar-se valor ao que se tem. E eu dou,no sentido em que me permite ter uma vida desafogada e acima de tudo,contribui para o bem estar da minha família.
Mas trata-se daquilo com que sempre sonhei? Não. E também não tenhos espasmos de felicidade pelo trabalho em si. Reconheço que é um trabalho em que todos os dias são diferentes,não prima pela monotonia,é um facto e além do mais,não é qualquer trabalho que me dá a oportunidade de,por exemplo,ter o Johnny Depp à minha frente (memorável dia esse,15 de Maio de 2003).
Mas tudo isto são pérolas raras. É giro,mas o que no final das "contas feitas" perdura,não é isto.
Noutro dia fui a um sítio,que uma grande amiga minha (e que como tal,me conhece bem) define como " a minha cara" : a LX Factory. Para além do próprio espaço ser muito engraçado e atractivo e não falando do facto de que no ar,respira-se o cheiro de bolos acabados de sair do forno e cappucinos com caramelo,há ali uma energia muito muito especial; daquelas energias que nos fazem deixar lá parte de nós próprios,mesmo quando já estamos em nossa casa.
É sem dúvida daqueles sítios em que tenho sempre,obrigatoriamente de voltar; é sem dúvida daqueles sítios em que,não tivesse eu uma filha para sustentar e um orçamento familiar a considerar, perguntaria, mal pensando no valor do ordenado: "Por acaso não precisam de uma empregada...não?"
Gosto de guardar comigo,seja na memória,seja num bloco de apontamentos,frases que desafiam a nossa interpretação e, obviamente, respectiva reflexão.
Do Oscar Wilde ( para ele,uma grande vénia,sempre!) tenho umas quantas que praticamente já me circulam no sangue, do Vergílio Ferreira (um mestre da escrita,sem dúvida um dos meus preferidos de sempre) também são outras tantas frases,daquelas que de tão fortes,fazem tudo o resto parecer trivial...
Embora tenha sido sempre dada à escrita,houve uma altura em particular da minha vida em que todos os dias escrevia, tinha um caderno na mesa de cabeceira e era assim que dava por rematados os meus dias.
Nessa altura,essencialmente,o gesto da escrita era essencial e altamente pessoal,embora houvessem textos que tenha tornado públicos.
A escrita é uma outra forma que tenho de ver o mundo e por isso compreendo muito bem,quando ouço pessoas dizerem que "por escrito seria mais fácil".
Não quer dizer,lá está,que o "fácil" se traduza por "trivial". Pelo contrário: por escrito poderemos expressar de forma mais completa,mais bela,mais profunda,tudo aquilo que sentimos,numa intensidade inigualável à palavra falada.
E por experiência própria,vos confirmo que assim o é, efectivamente.
É como se passarmos algo para o papel,fosse todo um gesto,um exercício introspectivo,cujas raízes tocam no que de mais íntimo existe em nós.
O significado de tudo, reside na forma como o interpretamos, está no nosso olhar, na nossa própria expressão.
Bom,mas isto é uma mera opinião, vista mediante os meus olhos,claro está...
Mudando um pouco o assunto,há uma série de coisas que me aguçaram a curiosidade na Time Out desta semana e como tal,vou ter de as ver com os meus olhos.
Nesta Lisboa que eu amo,há uma série de espaços giros (uns que eu já conhecia,outros mais recentes que ainda não conheço), que já me puseram em modo "planeamento de roteiro" para os próximos dias de folga. Just can't wait!
E porque nem só do olhar vive o Homem,passando agora pela música,remato este,digamos, diversificado post, com a música de uma cantora que conheci recentemente e muito francamente...adorei!
Os momentos de aconchego, os dias tranquilos (as férias são agora), os pequenos almoços bons e demorados, fingir que somos da idade dela e andar pelo chão alinhando numa série de brincadeiras.
Mexer nos meus tecidos e pensar no que vou fazer com eles, dar azo à imaginação,ficar no sofá até tarde com um livro na mão e deixá-lo cair até adormecer.
E galochas,as minhas preciosas galochas.
Bocados pequenos,em formato fotografia,de mais um aniversário.
A chuva abriu um parêntesis e ofereceu-me um dia cheio de sol (e pouco frio também),o que nos levou até ao jardim para um almoço tranquilo; páginas soberbas de um livro que eu andava a cobiçar há algum tempo e que foi uma das minhas prendas; um jogo de Mikado ao serão,a fazer-nos lembrar tempos em que eramos sem sombra de dúvida mais jovens.
E acima de tudo,coisas boas,daquelas que se sentem e cuja máquina fotográfica não consegue reportar.
Há dias e noites assim.
Eu poderia começar por mais uma vez, fazer uma pequena dissertação sobre a forma como o tempo corre apressadamente,sem nos perguntar se na realidade queremos que assim seja e que 36 anos se passam assim mesmo: num instante aqui cheguei.
Mas não vale a pena entrar em pormenores desse tipo,nem que não me sinto de forma alguma com trinta-e-seis anos,porque sou mesmo uma miúda (mas uma miúda que sabe muito bem o que quer e o que não quer).
Nesta manhã de aniversário,resta-me deixar aqui registado o facto de que esta minha data de 30 de Outubro ter sido sempre um dia feliz para mim e para os que me estão próximos: os meus pais desde cedo fizeram a questão de que assim fosse e eu deliberadamente prorroguei esse festejo e estado de espírito ao longo da minha vida. Hoje em dia e de há uns anos para cá,o meu aniversário nunca se limitou unicamente a um dia singular,mas sim a uma espécie de "época" alegre,que se inicia na véspera,à noite,com uma descontraída e cúmplice reunião de raparigas: meia dúzia de amigas que se juntam em minha casa,prontas para umas boas horas de riso e confidências.Ontem à noite não foi excepção.
Hoje vai ser mais familiar,intimista de igual forma,mas garantidamente cheio de bons momentos,já que as pessoas que realmente estão "cá dentro",não nos desiludem...porque nós também estamos por inteiro "dentro delas",para o que der e vier.