Dois adultos (quase) sempre na palhaçada,uma menina com pouco mais de 1 ano que alinha em tudo o que seja brincadeira, duas cadelas malucas que se amam incondicionalmente (é verdade,amor puro e despretensioso),um gato gorducho que está entre o "ursinho Teddy Bear" e um eunuco, uma gata de raça "bosque da noruega" que tem um nome pomposo,a condizer com a sua personalidade sensível e coquete, e uma outra gata com espírito de fedelha irresistível,ternurenta e descaradamente transgressora.
Tudo se conjuga e até os animais,qual fábula de La Fontaine,adquirem voz e pensamento, nesta casa.
"Cá dentro"vive-se aquilo que se ama e amamos aquilo que vivemos.
Quando deixarmos de ser assim,é porque há algo que está muito errado.
Esta não é só uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. Tenho para mim que será basicamente uma provável e merecida banda sonora de todos os cidadãos,deste país à beira mar plantado,vulgo "Portugal","nação valente e imortal".
Se chegarmos ilesos e com um razoável nível de sanidade mental,ao fim (qual luz ao fundo do túnel,que para pessoas anti-pessimismo,como eu,é sempre a meta a considerar) desta "troiko-epopeia",seremos sem rodeios e sem falsas modéstias,autênticos heróis. A questão que agora se prende,é se continuarão "por cá" muitos,para mais tarde contar a história da sua (sobre)vivência.
Arre. Tempos ásperos estes,em que tudo parece em constante mutação...para pior.
Não resta mesmo mais nada senão agarrarmo-nos àquilo que ainda temos de bom: uma família,uma casa onde regressar todos os dias,um trabalho e a tal luz ao fundo do túnel,que por si só,constitui sem dúvida um alicerce essencial.
E vamos embora,que a vida não espera.
Cá por casa,felizmente,vai-se mantendo a tradição das coisas boas e como tal,começou já a contagem decrescente para o cumprir de mais uma. Porque agora vem o tempo de falar em festa,já que de crise,temos os ouvidos,a cabeça e todos os poros cheios.
Não dá de facto para se ser espectador da própria vida (e muito menos da vida dos outros,já que voyeurismos e "Casas dos Segredos" não são a minha praia...),pois tudo acontece e ao mesmo tempo...!
Num curto espaço de tempo,esta pequerrucha que por cá habita aprumou afincadamente a destreza da arte de gatinhar,descobriu a 9ª maravilha do mundo que é o papel higiénico e...enfim,nem tenho palavras! Tive também de me ocupar de uma tarefa especial,em relação à minha casa,que embora agradável,foi trabalhosa; a mesma dita pequerrucha ficou constipada,com sérios problemas para dormir o que fez com que a sua mamã fosse trabalhar e aturar o mundo,com apenas 2 horas de sono dormidas (bebé doente = papás zombies); por incrivel que pareça,no meio disto tudo ainda consegui encontrar tempo (uau!!) para fazer a 1ª mala de inverno deste ano,para continuar a ler o meu livro e para me sentar uns momentos ao computador e descobrir coisas giras que vou adicionando à minha wishlist.
Uma dessas coisas giras que encontrei, foi este som delicioso feito por duas irmãs suecas,numa onda muito cool,muito hippie,muito folk:
Tal como eu já escrevi há pouco tempo por aqui,isto tem de ser tudo devagarinho. Muito devagarinho...
Fim de tarde.
Vou ao jardim,eu e a Canon (sim,eternamente orgulhosa da minha câmara). E as galochas.
Finalmente choveu. Finalmente que,enfim,uma estação se inicia no calendário e faz justiça às suas características,sem mais demoras (no ano passado,por exemplo,o verão foi por Outubro adentro...).
Agora roguem-me pragas,mostrem-se indignados,mas a verdade é esta,nua e crua : adoro esta chuva,este atenuar das temperaturas que puxa ao aconchego,adoro saber que tenho de sair de casa com um casaco vestido ( até porque o casaco é a peça de roupa que mais gosto),adoro a côr da folhagem,adoro o cheiro a terra molhada (este pormenor, é pena que a Canon não consiga captar).
Não sou pessoa admiradora incondicional de calores tórridos,em que de cada vez que se chega a casa,tem de se tomar um banho e mesmo assim,passado pouco tempo,já está de novo toda "peganhenta". Bah!
Mas como o mundo é de todos e as coisas até estão muito bem feitas (pena que cada vez mais tratem de desfazer e destruir e depois vêm dizer que a culpa é dos Maias...), para se "distribuir o bem por todas as aldeias" ,existem as denominadas 4 estações,que verdade seja dita,se encontram cada vez mais dissipadas e menos delineadas...tivemos um belo Verão,mas agora é a minha vez de curtir as temperaturas que se adequam mais ao meu gosto e as atmosferas inerentes a isso (quem é que recua perante a ideia de sofá+manta+filme+cházinho+numa noite fria?!?! ).
Mas isto tudo para dizer que adoro o Outono,pisar folhas secas,pôr gorros na cabeça e o cheiro a castanhas assadas.
Sim,falemos de vida,de sorrisos,das pequenas e boas simplicidades dos dias,falemos de gestos bons,de abraços,de flores,de reencontros.
Falemos de espírito perseverante e positivo,de pessoas bem dispostas que remam contra a conjuntura e acreditam que sim,que podemos acreditar nisso tudo que povoa o nosso poço de crenças e sendo assim,façamos por isso.
Falemos de sábados à tarde cheios de sol e de ruas com animação a perder de vista.
Foi neste passado sábado,em Cacilhas,onde pessoas e bicicletas e muitas boas vibrações sairam à rua,para comemorar o dia europeu sem carros.
Foi giro,muito giro,tanto para miúdos,como para os mais crescidos. E estou a falar de uma zona que já acho particularmente bonita e interessante em dias normais...quanto mais num dia destes,que lhe deu um encanto ainda mais especial.
E fazendo jus ao dia em questão...fomos mesmo a pé para lá.
Deviam haver mais dias assim..!
Não me esqueço do estado em que fiquei,quando em criança,a minha mãe me explicou o que era a morte: uma criança dificilmente consegue aceitar que afinal de contas,não se vive feliz para sempre,porque o infinito que o "para sempre" implica, não existe.
Faz parte da vida,é o curso natural da existência,bla bla bla. Uma merda,é o que é.
Não sei lidar com isso e pior,não sei lidar com a degradação humana que uma doença pode causar,tornando-se num suplício tanto para quem a sente na pele ,como para quem está mais próximo.
Já convivo com uma situação destas,muito de perto,há anos e portanto,sei bem do que falo.
Hoje escrevo aqui,em tom de desabafo,como em tantas ocasiões o fiz em papel,só para mim. Porque hoje
fiquei agoniada com a noticia da morte de uma pessoa. Porque seguindo o tal curso natural da existência,essa pessoa supostamente ainda teria muito para dar à vida...e a vida a ela.
E eu não lido bem com injustiças.
E de facto,perante determinadas coisas,tudo o resto não vale nada.
Posto isto,estou-me a marimbar para o "diz-que-disse",para o euromilhões que nunca sai,para as invejas mesquinhas,para a "tragédia-feita-por-se-ter-perdido-a-tampa-da-caneta",para a "amiga-tão-amiga" que deixou de repente de falar,para a "amiga-da-amiga" que provavelmente por um processo de osmose,deixa de falar também,para o raio que parta isto tudo que acabei de enumerar,mais outras cenas que tais.
Porque há uma coisa muito fdp,que aparece sem avisar e de repente,tudo o resto...são balelas.
Como disse Oscar Wilde,"adoro os prazeres simples. São o derradeiro refúgio dos complexos".
Como o entendo. O que é preciso é ver a vida e os seus detalhes...devagarinho.
Para pressas,já me chega o meu trabalho,onde por vezes sinto que tenho de ultrapassar a velocidade da luz. E isso não é bom,nada bom.
Como tal,em tudo o resto,sempre que seja possível,é viver a um ritmo não lento (confesso que lentidão a mais,dá-me cabo dos nervos),mas digamos,harmoniosamente compassado.
Não é fácil,podemos chegar a atingir níveis de autêntico malabarismo ( e as mães saberão bem do que falo),mas há que procurar sintonia naquilo que se faz.
E se não se puder fazer tudo hoje,simplesmente...vai-se fazendo.