quarta-feira, 20 de junho de 2012

Absorta





Deixo que permaneçam quase que intocáveis certos momentos,que de tão sublimes,simples,puros e únicos,
arrebato-os desmesuradamente num gesto cioso,nada altruísta...apenas meu.
É como se o tempo parasse,é como se conseguisse tocar no metafísico,no impossível ao toque,no que chega ao coração.
É tão somente aqui,que a minha natureza se encontra e se encanta e que nada mais importa.

E olhar para ela. Perder-me para sempre...a olhar para ela. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pequenas e naturais particularidades





Confesso que,apesar de me ter mudado com a maior das certezas e absolutamente destemida,há 13 anos atrás para a capital,não sou,declaradamente,um "ser citadino".
Na altura,na flor dos vinte anos,sabia que tinha imperativamente de o fazer.
Simplesmente sabia-o. Tudo o resto seria surpresa,imprevisto,um tiro no escuro.
Arrisquei o "tiro" e  felizmente o destino conduziu-me de forma sábia.
Agora,neste preciso momento,vejo claramente ao longo do meu percurso nestes anos,que as minhas certezas tinham fundamento,que tudo foi certo...mesmo aquilo que em certos momentos me parecia incerto.

Foi absolutamente drástico e essencial na minha vida,esta mudança.
Mas o que também reconheço como igualmente essencial,é o contacto com o sossego,a terra,o verde,o ar que se respira.
Vivemos cada vez mais numa era de suprema auto-sustentabilidade. Acho excelente,a ideia de se "semear aquilo que se come",porque para além de ser mais económico,acima de tudo,é sem dúvida muito mais saudável e o gozo que se tem (eu pelo menos,por mim "falo") em ir apanhar aquilo que se semeou...é ímpar!
Por isso,embora a mudança para a grande cidade tenha sido crucial,aquilo com que eu sonho mesmo,um dia mais tarde,será rodear-me desse tal sossego,desse verde,desse ar ,que uma atmosfera citadina jamais pode oferecer.
Entretanto,dou-me por satisfeita,porque embora habitando em pleno centro de uma cidade,parece que praticamente vivo no campo.
E como é boa a vida no campo!

domingo, 10 de junho de 2012

In a good mood

Que é como quem diz: "Estou e ando mesmo muito bem disposta!"
Esta foi a semana em que regressei ao trabalho e confesso que num misto de ansiedade,estranheza e apreensão (afinal de contas,foi 1 ano e meio longe daquele "mundo"),a experiência revelou-se amplamente divertida. Sim,acima de tudo,divertida. E no final de tudo e de todo este tempo,é bom ver que certas pessoas que por alguma especial razão deixámos entrar nas nossas vidas (umas mais do que outras,é certo),têm toda a legitimidade de fazer parte de nós.
E como lhes agradeço esses risos que me provocam,esses momentos tão bem passados e o tão presentes que estiveram neste tempo que estive ausente. Porque elas,estiveram sempre comigo.Mesmo à distância. 
Mas sabem qual é a melhor parte de ter regressado ao trabalho? É sem dúvida o momento em que regresso a casa e encontro absolutamente tudo aquilo que preciso,principalmente quando vejo uma boquinha pequenina,num largo sorriso,a exibir os seus dois dentitos e muito feliz por me ver.

E porque acordar ainda de madrugada não é tarefa fácil, um grande "bem haja" a quem passa esta música a essas madrugadoras horas,na rádio,porque faz-me cantar,em vez de conduzir,praticamente levito e ,lá está,o dia auspicia-se automáticamente...bom!



sábado, 2 de junho de 2012

Espasmos

Pois é,não vale a pena estar aqui de novo a especificar como é que eu funciono e que tipo de gostos são os meus,senão o melhor seria o blogue chamar-se "Cenas Antigas" e assunto arrumado.
Mas é inevitável. Principalmente quando os "deuses" (que devem estar loucos e querem obviamente pôr-me a mim louca) gentilmente prostram à frente da minha humilde pessoa,artefactos deste calibre.
São espasmos,senhores,são espasmos.
Espasmos quando o senhor da loja me diz que esta meia dúzia de caixas são 5 euros;
Espasmos quando vou a passar e a mesinha de cabeceira,decretada lixo por alguém (mas hoje em dia,com as agências de rating, já quase tudo é assim,não é verdade...?),me pisca o olho e grita-me :"leva-me !". Foi num ápice de segundo que parei o carro (felizmente que o tinha!) e a meti no porta bagagem,tão óbvio como 1+1=2. Ainda por cima,tão "precisada" que eu estava de uma mesa de cabeceira.
E como eu ganho o dia,com estes meus resgates.
Se um dia me virem a fazer isto,não liguem,porque eu sou feliz assim.





quinta-feira, 31 de maio de 2012

E o tempo passou




Desde que houve a certeza de que havia um pequeno Ser a gerar-se cá dentro,seguindo-se uma baixa por gravidez de risco,que por sua vez culmina num bebé lindo e passando pelos meses seguintes de licença + férias não gozadas...passaram-se 18 meses. Um ano e meio passou assim,como se de areia dentro de uma ampulheta se tratasse.
Quis ficar com a minha filha o máximo de tempo que pudesse,porque não há definitivamente dinheiro algum que compense a sua evolução,quase diária. E assim foi.
A Leonor faz amanhã, 9 meses. Nove meses de bochechas coradas, gargalhadas sonoras, cabelos dourados e olhos imensamente azuis.
E como foi bom testemunhá-lo quase ao segundo,ao longo destes 9 meses.
Agora,chegou o momento que sempre esteve tão longe,tão distante...mas que num instante se faz perto : o regresso ao trabalho e à normalidade (ou nem tanto,porque tem dias que o meu trabalho é tudo...menos normal).
Mas o mais importante,é que ela existe.    

sábado, 26 de maio de 2012

Momentos nossos








Nunca me foi francamente difícil lidar com a "solidão",aliás,este é um termo demasiado drástico para aquilo a que me quero concretamente referir..."estar sozinho" creio que será mais adequado.
Não sei se terá sido pelo facto de ser filha única  (e apesar de achar que ter irmãos e uma familia grande é uma animação incomensurável,confesso que fui feliz no meu crescimento como única filha), mas áqueles momentos em que estou sozinha,sempre me referi a eles como..."estou comigo".
E é bom,muito bom sentir esses momentos tão nossos,em que nos circunda o silêncio,ou uma música como pano de fundo,uma vela que arde,um incenso que se consome lentamente,um chá que nos aquece a alma...neste momento da minha vida,obviamente que não haverão momentos melhores,do que aqueles que passo com a minha filha,mas confesso que (e as mamãs que lêem estas minhas palavras,decerto se identificarão com elas) no final de um dia,com a menina a dormir,após mais uma jornada de risos e brincadeiras e eu com o peito cheio de tudo aquilo que o dinheiro não compra...sabe muito bem ter momentos assim... :)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não há coincidências

Não sei se já alguma vez vos aconteceu,verem um filme e reconciliarem-no com factos da vossa vida.
A mim nunca me tinha acontecido...até ontem.
Por curiosidade e sugestão de uma amiga,vi o "500 days of Summer",sem grandes expectativas de ser uma obra-prima da 7ª arte,mas por vezes é bom ver coisas giras,engraçadas e "levezinhas". Ora,este filme,para além de ser giro e original em termos de realização,fez com que aquela usual nota que surge na ficha técnica ("esta é uma obra de ficção,qualquer semelhança entre esta e a realidade,será mera coincidência") descubra na minha própria realidade,toda a sua razão de existir.
E é tão estranho quando isto acontece! Porque até o raio do livro é o mesmo,com tantos livros no mundo,tinha de ser exactamente este,que será sempre especial para mim. E as palavras,os sentimentos...estão lá todos. No filme e na minha história de vida.
Porque nem sempre aquilo que é,tem de o ser para sempre; porque nem tudo o que prevalece como ideal,é o nosso eterno lema de vida,porque um dia acordamos...e a vida troca-nos as voltas todas.
Não,eu não acredito em coincidências,mas que foi um encontro muito bom rever-me neste filme...isso foi.