quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não há coincidências

Não sei se já alguma vez vos aconteceu,verem um filme e reconciliarem-no com factos da vossa vida.
A mim nunca me tinha acontecido...até ontem.
Por curiosidade e sugestão de uma amiga,vi o "500 days of Summer",sem grandes expectativas de ser uma obra-prima da 7ª arte,mas por vezes é bom ver coisas giras,engraçadas e "levezinhas". Ora,este filme,para além de ser giro e original em termos de realização,fez com que aquela usual nota que surge na ficha técnica ("esta é uma obra de ficção,qualquer semelhança entre esta e a realidade,será mera coincidência") descubra na minha própria realidade,toda a sua razão de existir.
E é tão estranho quando isto acontece! Porque até o raio do livro é o mesmo,com tantos livros no mundo,tinha de ser exactamente este,que será sempre especial para mim. E as palavras,os sentimentos...estão lá todos. No filme e na minha história de vida.
Porque nem sempre aquilo que é,tem de o ser para sempre; porque nem tudo o que prevalece como ideal,é o nosso eterno lema de vida,porque um dia acordamos...e a vida troca-nos as voltas todas.
Não,eu não acredito em coincidências,mas que foi um encontro muito bom rever-me neste filme...isso foi.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Ai as Casas...

Se há coisa com a qual regozijo o meu prazer,é sem dúvida com casas bonitas.
Mas obviamente que os gostos são relativos,subjectivos e o que eu considero bonito,poderá ter uma beleza dúbia aos olhos de terceiros,porque por exemplo,não exalo espasmos entusiásticos ao entrar numa casa moderníssima,toda "xpto-hdy",com decorações igualmente modernas e minimalistas,equipadas com grande tecnologia e haverá muito boa gente que obviamente não achará muita piada aos meus,digamos,ecléticos gostos.
A minha paixão absoluta em termos de "casas" é o antigo,os tectos altos,trabalhados,o soalho em tábua corrida,paredes encobertas de história; decorações criativas, muito "handmade",combinações imprevisíveis,sem haver o cuidado extremo de "não-pisar-nem-sentar-ali-e-acolá-para-não-estragar"...porque as casas são para serem vividas e desfrutadas.
Por vezes,esbarro no caminho com casas que eu sei que,de certeza,são assim por dentro.Mesmo que estejam quase a cair de podres por fora (é uma pena deixar-se ao abandono e desmazelo tantos edificios bonitos) .
E caso sejam habitadas,como me apetece ter o atrevimento de bater à porta e perguntar se posso dar uma espreitadela e quiçá tirar umas fotos..!
Tal como fez o José Cabral,com o seu "Alfaiate Lisboeta",a fotografar indumentárias e estilos giros,eu seria o mesmo,mas...com casas.
Lembro-me que quando era miúda e já adolescente,a minha ambição não era,ao contrário da maioria (senão,totalidade mesmo) da gente da minha idade,tirar a carta de condução. Era sim ter a casa que fosse o reflexo da minha personalidade,do meu gosto,da minha descontração e à qual eu chamasse "minha".
E que alegria foi quando isso aconteceu! Na altura (há 12 anos atrás) nem sequer se pensava em alugar,era comprar e pronto (pois,os bancos eram uns mãos-largas nessa áurea época).
Depois,eu com as casas da minha vida (podia fazer um registo com este título,era bonito) agi sempre,tal como regra geral o faço com tudo o resto : sem dúvidas e sem ser preciso tempo para pensar na questão; mal a porta se abre,eu penso "pronto,está tudo dito" e será essa,"a tal". E nunca me arrependi das escolhas que fiz,porque eu acredito que a dado momento é assim, dessa forma que as coisas fazem sentido (mesmo que mais tarde e com o tempo,tais escolhas percam todo o seu fundamento,mas isso já são outras histórias...).
E é assim que eu serei sempre,disso também não tenho dúvidas.
"Home is where the heart is"- sempre gostei desta frase,porque é isso que se deve sentir,ter o coração e o principal da vida...dentro de casa. E basta-me isso para ser feliz.






sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dos livros bonitos e da vida,que é única na sua essência



Adoro livros.Desde que me conheço. E sempre que pego num livro pela primeira vez,tenho um ritual praticamente inconsciente: cheiro-os.Não me perguntem porquê,mas é absolutamente instintivo e quando dou por mim,já estou a inebriar-me com o seu cheiro.
Tenho uma colecção de livros em casa da qual me orgulho,colecção essa que não cessa o seu crescimento,por vezes o mais problemático é,enfim,arranjar tempo para me sentar (ou deitar) e prazeirosamente divagar por entre as suas histórias e imagens.
Mas há livros que merecem especial destaque. É o caso deste último que comprei,da Victoria Alexander, "One- Living as one and loving it".
Para além de ser gráficamente,sem dúvida alguma,o livro mais bonito que eu já vi, trata-se de uma autêntica celebração à dádiva única que é a Vida.
Repleto de fotografias lindíssimas sobre pessoas,viagens,arquitectura,culturas,tal como diz a autora: "My photographs are from everywhere,all over,and mixed up to remind you and me,that we are all one.Wherever we're from.Wherever we may going". 

E por entre as suas extraordinariamente belas páginas,há envelopes com recados lá dentro,colagens,lembretes...
Este livro é daqueles objectos que,se numa emergência eu tivesse de sair de casa a correr e só pudesse levar meia dúzia de coisas,ele estaria sem sombra de dúvida dentro dessa meia dúzia.
Belo e único,tal como a singularidade e beleza daquilo que evoca,nestas tantas páginas de sonho...




terça-feira, 1 de maio de 2012

"Cenas" antigas- parte 2

Não vale a pena,eu não lhes resisto.Sim,às "peças" antigas.
Há 3 anos atrás,mudei considerávelmente a minha vida e regra geral,quando ocorre uma grande mudança na vida,essa é acompanhada (nem sempre,mas muitas vezes o é) por uma mudança de "ares",de casa,de terra. Ora,foi o que me aconteceu. Eu era bastante leiga no que respeitava aos ares "a sul do Tejo",mas como mudar é coisa que nunca me assustou,rapidamente "fui à descoberta" do meu novo espaço,da minha nova "casa",por assim dizer.
Fiquei amplamente surpreendida,pela diversidade de sítios e coisas interessantes que fui encontrando e confesso que na altura não estava nada à espera ! Agora,volvidos 3 anos,continuo a surpreender-me e a considerar sempre uma verdadeira caixa de surpresas,de cada vez que deambulo pela cidade.
A zona mais antiga,como não podia deixar de ser,é quanto a mim,das mais interessantes,mas os miradouros e os restaurantes à beira-rio não ficam atrás.
Isto para dizer que ontem,inesperadamente,fiz uma dessas deambulações pedestres (sim,eu considero que é a andar a pé que se desencantam tesouros,para além de que,estacionar um carro por estas "bandas" é uma proeza difícil) e encontrei uma autêntica relíquia (isto depois de ter entrado numa loja de usados e ter visto um rádio a válvulas,dos anos 60,a funcionar na perfeição...). Lá estava "ela" : uma loja de roupa "vintage",roupa essa vinda,em grande parte...da Holanda! Pois então,"vintage + Holanda" soa a música,para mim. Conclusão: este vai ser um dos meus regulares e inevitáveis pontos de passagem,a partir de agora.
Após pesquisa minuciosa,a toda a paleta revivalista da loja,saí de lá,com um casaco e uma saia,no mínimo com a minha idade. No mínimo.


 E por falar em casacos,trata-se basicamente da minha peça de roupa preferida. Posso estar em falta de camisolas,meias,roupa interior,pijamas...mas se vou comprar alguma destas coisas,é certo que acabo sempre,mas sempre por trazer mais um casaco. Talvez pense em fundar um grupo "Casacólicos Anónimos".
Não sou francamente daquelas pessoas que extasia em comprar roupa,porque admito que já não tenho paciência para centros comerciais e vias-sacras a lojas,mas este tipo de peças e de lojas,para mim tem um entusiasmo e encanto,que transcende o simples facto de "comprar roupa".
E por falar em roupa,no meu gosto pessoal e nas minhas influências,comecei a pôr em prática algo que já há 1 ano e meio,pelo menos (foi no inicio da minha gravidez e de todo aquele tempo que iria ter pela frente) : fazer roupa,de linhas simples,mas com "os ares" dos anos 60 / 70,que eu tanto adoro. É tarefa trabalhosa,demorada e minuciosa,mas é ao mesmo tempo bastante compensador,ver aquilo que fui desenhando no caderno ao longo deste tempo,ganhar "corpo" e por fim,materializar-se.
Porque o sonho comanda a vida*

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Cenas" antigas


O "vintage" é uma tendência que creio nunca ter estado tão em voga,como actualmente. E quem é um apreciador,tal gosto reflecte-se inevitávelmente no decor do espaço que habita,na música que ouve,no próprio estilo pessoal,enfim,numa panóplia quotidiana.
Como já referi algures "por aqui",não sou seguidora de tendências,mas o que é certo,é que esta é uma moda que me atrai bastante,lá está,não por ser "moda",mas porque vai fortemente ao encontro da minha forma de ser e estar.



Em miúda adorava as feiras de antiguidades; as melhores prendas eram livros já gastos pelo tempo; adorava folhear vezes sem conta as revistas de moda dos anos 70 que a minha mãe tinha guardadas...e o universo de relíquias (coisas simples,mas maravilhosas...e ai! se eu as "apanhasse" hoje...) da casa dos meus avós,era algo que me fazia indagar sobre todas as histórias ali,naqueles objectos,preservadas.
Hoje em dia,adulta,a tendência mantém-se inevitávelmente : a arquitectura quanto mais antiga fôr,será sem dúvida a mais bonita para mim e os objectos usados que pontualmente compro em lojas da especialidade e afins,tornam-se num ápice,muitíssimo especiais. Há pouco tempo uma pessoa amiga ofereceu-me uma balança que tinha "perdida" lá por casa,gesto esse envolto de mil desculpas porque a dita estava com uma certa ferrugem..."Não faz mal! é assim mesmo que eu gosto...! porque se fosse luzidia,não teria a mesma piada!" - é verdade,é mesmo assim e lá vim eu contente com a minha "nova-velha" balança.
E casas com o pé direito muiiito alto?? uma paixão muiiito grande. Mesmo. Por vezes tenho de disfarçar (e não estou certa de disfarçar muito bem),porque se acontece a felicidade de entrar numa destas casas cuja idade já se perde um pouco no tempo  (e curiosamente aconteceu neste fim de semana),eu "perco-me" a olhar "para o ar" e abstraio-me um bocado da realidade. Não estou a "olhar pró balão",mas sim a olhar "pró tecto".
De resto,lojas,restaurantes,roupas,tudo aquilo que tenha este ar genuinamente antigo (e há pessoas que o recriam tão imensamente bem...), faz-me perder de amores. Por exemplo, Amesterdão,a minha cidade de eleição (da qual eu numa próxima encarnação irei ser nativa) é pródiga e absolutamente perfeita em tudo isto que acabei de referir.
Mas fico feliz por ver que neste meu país também já há conceitos tão inovadores,em que um café/restaurante já vai bem mais além do que as paredes em azulejo,o balcão com a vitrine e as prateleiras de garrafas. Já há,de norte a sul,muitos e bons espaços,pródigos em imaginação e que resultam num verdadeiro prazer aos olhos. Um breve (mas giro) exemplo,é o restaurante "Três 15 dias" aqui perto de mim,em Setúbal: confesso que saio de lá amplamente "alimentada",a comida é óptima e o espaço/decoração
absorve-me inteiramente.




E posto isto,resta-me francamente concluir que sou uma rapariga de "coisas antigas". Mesmo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Saber Viver

Cá está um assunto que para mim,talvez seja o mais critico de todos os assuntos: a injustiça.
E esta chega sempre da mesma forma,a seco,a frio,inusitadamente e fere quais socos no estômago,sensação oca e amarga que percorre todos os nervos do meu corpo.
E a mim choca-me a injustiça na sua amplitude geral,quer seja comigo,quer seja com os outros : tanto já fui confrontativa com um superior meu ao qual eu ouvi rebaixar os meus colegas de trabalho,como sou confrontativa e praticamente me transcendo a mim mesma,quando me atribuem gestos,palavras e intenções por mim nunca praticados,proferidas ou intencionadas.
Não é fácil,não o será jamais,mas admito que agora a condicionante fundamental é o facto de ter uma filha,que depende de mim e será unicamente por ela que sei que terei de contar até 563728892...em certas situações.Isto porque abalar-me com a baixa índole de terceiros tem de deixar de ocupar espaço primordial "cá dentro"; aquilo que puder fazer pela situação, faço, mas é importante estabelecer limites,pois tanto me indigna a fulana que está a maltratar a empregada da loja, como me indigna o facto de ter tido "pessoas" minhas amigas (?) que do nada,sem razão,nem porquês,me "apagaram" da vida delas.
Pois é,não é fácil,mas lá está,tomando a "ponta" do meu último texto,em que me refiro aos dias de azar,como componente natural da vida (contrapondo com os dias bons), infelizmente a injustiça também o é,mas não está obviamente ao mesmo nivel daquilo a que chamamos "azar". O "azar" foi um momento ou uma colectânea de momentos que num acaso pouco feliz nos encontrou; a "injustiça" chega-nos de forma deliberada,intencionada e cruelmente posta em prática por quem a delibera.
Tal como diz uma amiga minha (e muito bem), o "viver" não é dificil,dificil é "saber viver".

E agora vou mandar isso tudo às urtigas e encher a minha filha de beijos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Há dias...e dias!

É favor não atribuir as culpas a "terceiros": nada de superstições,gatos pretos (que são lindos!),passar por baixo das escadas,"sextas-feira 13" e por aí. Há dias de azar,há dias fenomenais,há dias banais,há dias para esquecer,enfim...a vida é mesmo assim e se assim não fosse,então não seria coerente, nem lógico,chamar-lhe vida.
Isto vem tudo a propósito do facto de amanhã ser sexta-feira 13. Ora,eu sou uma pessoa de "há dias...e dias!" e nada,mas NADA supersticiosa. Absolutamente.
Ontem por exemplo,foi um dia caricato em peripécias pouco simpáticas,pelo que concluí que o dia 11 de Abril foi pouco meu amigo: antes do meio-dia,já tinha levado com um banho de café quente e mais tarde,com um varão de cortinado (juntamente com o respectivo) na cara. Pois,poderiam ambas as coisas ter tido resultados graves,mas felizmente não foi o caso e pronto,aconteceu,já passou.
Agora,pergunto eu aos amantes da superstição: se por um acaso,tais ocorrências acontecessem amanhã (embora não esteja livre de que amanhã me possa acontecer algo do género), a culpa era do quê ou de quem? Dos vários gatos pretos que habitam no meu bairro...? Do número 13 aliado fatalmente a uma sexta-feira...?
A culpa é minha,enquanto eu existir. Porque lá está,só quem não participa "nisto" a que se chama vida,é que não está susceptível de que lhe aconteçam coisas destas...

E agora esta que eu descobri,o Rui Pregal da Cunha, vocalista dos lendários e nacionais,Heróis do Mar,com uma banda que eu adoro,os "Nouvelle Vague"...?